Projeto “Wake Up” aposta no diagnóstico precoce da apneia do sono entre motoristas profissionais

1. Como surgiu a parceria entre as equipas da Patinter e da Linde Saúde que deu origem ao projeto "Wake Up"?
O projeto "Wake Up" nasceu da preocupação comum das entidades em identificar e tratar precocemente a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) nos motoristas profissionais, promovendo saúde, prevenção e segurança rodoviária.
2. Pode explicar-nos como funciona o processo de rastreio, desde o questionário inicial até ao estudo do sono e ao eventual diagnóstico?
O processo inicia-se com questionários de rastreio validados em formato digital, de forma que os motoristas que estão longe em viagem possam tranquilamente responder. Quando existe suspeita de SAOS, é realizado um estudo do sono domiciliário de nível III. Após análise técnica do estudo do sono, os casos positivos são encaminhados para consulta especializada na ULS Viseu Dão-Lafões, para confirmação diagnóstica e definição terapêutica.
3. A apneia do sono é uma patologia com sintomas muitas vezes desvalorizados, como o ronco ou o cansaço matinal, e que afeta mais os homens do que as mulheres. Que sinais de alerta devem os motoristas e as suas famílias ter em conta?
Ronco intenso, pausas respiratórias durante o sono, despertares frequentes, sono não reparador, fadiga matinal, dificuldades de concentração e sonolência diurna são sinais importantes que não devem ser ignorados, principalmente nesta profissão de motorista, em que se torna uma profissão de risco juntamente com estes sintomas.
4. Que opções de tratamento existem, e como é feito o acompanhamento da adesão dos motoristas a este tratamento ao longo do tempo? Sabemos, por exemplo, que a adesão média subiu de 4h31 para 5h02 por noite nos últimos meses. O que explica esta evolução?
Nas situações moderadas a graves, o CPAP é a terapêutica de referência. A adesão é acompanhada pela equipa da Linde Saúde através da monitorização dos equipamentos, com acompanhamento remoto, educação contínua e apoio personalizado. A Linde Saúde, tem se focado muito na inovação, tendo desenvolvido uma ferramenta com base em IA, o Airgenious, que nos ajuda a prever o comportamento do utente em relação à terapêutica nos próximos 28 dias e que nos alerta precocemente para esse possível padrão. Com isto, conseguimos atuar de forma mais rápida, o que ajuda a explicar as melhorias na evolução da adesão média.
5. Ao longo destes 13 anos, o programa já rastreou 469 motoristas, dos quais 146 realizaram estudo do sono e 62 tiveram diagnóstico confirmado de SAOS moderada/grave, estando atualmente 45 em tratamento. Qual é o papel da equipa da Linde Saúde na implementação deste programa de rastreio, e como é que a iniciativa se traduz em benefícios reais para os motoristas da Patinter e para a própria empresa, nomeadamente em termos de segurança rodoviária?
A Linde Saúde participa no rastreio, implementando sessões de sensibilização para a patologia, no apoio técnico dos estudos do sono, na implementação terapêutica e acompanhamento dos doentes. O programa gera benefícios para os motoristas através da melhoria da qualidade de vida e para a empresa através do reforço da segurança rodoviária.
6. Este programa já foi ou está a ser alargado a outras unidades ou realidades, por exemplo, a outras localizações da empresa, ou mesmo aos familiares dos colaboradores? Enquanto profissional de saúde, como vê a possibilidade deste modelo ser replicado noutras empresas ou setores e qual seria a sua importância?
O programa já foi alargado a outras localizações da empresa, de forma que todos os motoristas possam ter a possibilidade de participar no rastreio.
Este modelo apresenta elevado potencial de replicação noutras empresas e setores, especialmente em atividades onde a segurança é crítica, contribuindo para o diagnóstico precoce e para a promoção da saúde.
