Os riscos dos animais de companhia beberem água do mar ou da piscina

1. Porque é que beber água do mar ou da piscina pode representar um risco para os animais de companhia?
A água do mar contém uma concentração muito elevada de sal. Quando um cão ou gato ingere quantidades significativas, o excesso de sódio altera o equilíbrio de fluidos do organismo, podendo provocar desidratação, vómitos e diarreia. Em situações mais graves, pode ocorrer intoxicação por sal (hipernatremia), uma emergência médica que pode originar alterações neurológicas, tremores, convulsões e colocar a vida do animal em risco.
Relativamente à água das piscinas, a ingestão ocasional de pequenas quantidades de água devidamente tratada raramente provoca problemas graves. No entanto, quando os animais ingerem grandes volumes durante as brincadeiras ou enquanto nadam, podem surgir alterações gastrointestinais, como vómitos e diarreia. O cloro presente na água pode ainda provocar irritação gastrointestinal quando ingerido em excesso, bem como irritação ocular e cutânea em animais mais sensíveis. Já os produtos concentrados utilizados no tratamento da água, como pastilhas de cloro, representam um risco significativo e exigem assistência veterinária imediata em caso de ingestão.
2. Quais são os principais sinais de alerta e quando deve o cuidador procurar assistência veterinária?
Os sinais mais comuns incluem vómitos persistentes, diarreia intensa, fraqueza, letargia, alterações comportamentais, tremores, dificuldade em caminhar ou perda de coordenação. Em situações mais graves podem surgir convulsões ou perda de consciência. Sempre que estes sinais surjam após um dia de praia, piscina ou outras atividades aquáticas, ou exista suspeita de ingestão de grandes quantidades destas águas, o animal deve ser observado por um médico veterinário o mais rapidamente possível.
3. Porque é que alguns cães acabam por ingerir grandes quantidades de água durante as brincadeiras?
Muitos cães acabam por beber água sem que os cuidadores se apercebam. Isto acontece quando apanham bolas ou brinquedos dentro de água, mordem as ondas ou permanecem longos períodos a nadar. Como a ingestão é involuntária e gradual, pode levar à ingestão de uma quantidade significativa de água durante a brincadeira.
4. Como podem os cuidadores evitar este problema?
A prevenção passa sobretudo pela supervisão. É importante fazer pausas frequentes, limitar sessões de brincadeira muito intensas dentro de água e evitar lançamentos repetitivos de bolas ou brinquedos para o mar ou piscina durante longos períodos. Além disso, deve evitar-se que o animal permaneça demasiado tempo dentro de água sem pausas e interromper a brincadeira sempre que se observe que está a beber água repetidamente.
5. Que cuidados devem ser adotados antes, durante e após um dia de praia ou piscina?
Antes da atividade, é importante garantir que o animal está bem hidratado e levar sempre água fresca e um recipiente próprio para que possa beber ao longo do dia. Enquanto o animal estiver na praia ou na piscina, devem ser feitas pausas frequentes à sombra, evitando as horas de maior calor e reduzindo períodos prolongados de brincadeira dentro de água. Após o regresso, recomenda-se enxaguar o pelo e a pele para remover sal, areia, cloro e outros resíduos, oferecer novamente água fresca e vigiar o aparecimento de sinais gastrointestinais ou alterações comportamentais nas horas seguintes.
6. Como garantir uma hidratação adequada dos animais durante os dias de maior calor.
A hidratação deve ser uma prioridade durante os dias de maior calor. Os animais devem ter sempre acesso a água fresca e limpa, renovada regularmente, uma vez que muitos evitam beber quando a água está demasiado quente ou suja. Em casa, pode ser útil disponibilizar vários recipientes de água, sobretudo quando existem vários animais ou em habitações maiores.
Nos dias mais quentes, é igualmente importante adaptar a rotina do animal, privilegiando os passeios nas horas de menor calor e reduzindo o esforço físico quando as temperaturas são elevadas. Caso o animal apresente sinais como ofegação excessiva, apatia, gengivas secas ou diminuição da ingestão de água, deve ser observado por um médico veterinário.
