Tratamentos

O papel da anestesiologia no controlo da dor

Atualizado: 
17/10/2019 - 11:47
O Anestesiologista é responsável pela escolha da medicação anestésica, para indução e proteção das funções vitais do doente. O anestesiologista tem competência na indução da consciência, na ventilação de suporte na emergência médica intra e extra-hospitalar e ainda no tratamento da dor crónica.

A anestesiologia nasceu com o intuito de abolir a dor, de forma a permitir certos procedimentos cirúrgicos.

O inicio da Anestesiologia dizem respeito a utilização do éter por inalação para cirurgias e extrações dentárias, com o dentista William Thomas Green Morton, que no ano de 1846.

Com o desenvolvimento da especialidade, rapidamente se chegou a conclusão que abolir a consciente e a dor não era suficiente, sendo necessário controlar as consequências da agressão que o doente sofre durante estes procedimentos.

O Anestesiologista é responsável pela escolha da medicação anestésica, para indução e proteção das funções vitais do doente. O anestesiologista tem competência na indução da consciência, na ventilação de suporte na emergência médica intra e extra-hospitalar e ainda no tratamento da dor crónica.

O foco da anestesiologia sempre foi o controlo da dor, aguda e crónica.

Dor cirúrgica vs dor crónica

A dor cirúrgica é a dor tipicamente definida como aguda ou seja uma resposta a uma agressão, é o tipo de dor que podemos prever e tomar as devidas precauções para a controlar.

A dor que persiste, por mais de 3 meses é definida como dor crónica. Esta dor manifesta-se de várias formas e é classicamente tratada pelos anestesiologistas, embora mais recentemente haja outras especialidades envolvidas.

A dor aguda pode resultar de uma cirurgia, de um trauma, de uma queimadura, ou de outro estímulo externo. Tem uma causa bem esclarecida e tende a desaparecer depois de tratada a causa.

Ao contrário da dor aguda que traduz sempre um sintoma ou sinal de alarme, a dor crónica é considerada uma doença que se prolonga por mais de 3 meses e que pode provocar alterações a nível do sistema nervoso central e periférico, contribuindo para a cronificação da dor. Fazendo com que esta persista por vezes para além da cura da causa.

Os doentes com dor crónica podem ter outros sintomas como depressão alterações do sono, fadiga e ansiedade.

No caso da dor crónica é muito importante identificar quando possível, a cauda da dor e tentar tratá-la, uma vez que isso pode significar a cura dor doente.

Quando isso não é possível deve-se adotar uma estratégia multimodal com medicamentos destinados a tratar os vários tipos de dor, fisioterapia etc.

O papel do anestesista

O anestesista é perito no controlo da dor aguda. Já na dor crónica, não existe um especialista de referência. São várias as especialidades que tratam a dor crónica.

De qualquer modo o anestesiologista quer historicamente quer atualmente ainda é o médico de referência pela preparação da sua especialidade no combate a todas as formas de dor, inclusive no treino que adquire na utilização de estratégias multimodais que combinam diferentes medicamentos para poder aliviar o sofrimento dos doentes, como sejam os opióides.

Os anestesiologistas aprendem técnicas que são úteis na abordagem da dor e que facilitam a aprendizagem de outras mais utilizadas em dor crónica com métodos minimamente invasivos Nos últimos anos, a anestesia regional tem evoluído bastante. Relativamente à anestesia geral, a loco-regional implica menos complicações, maior facilidade de controlo da dor aguda no pós-operatório, além do custo económico ser muito inferior.

Como intervir na dor crónica?

As modalidades de intervenção na dor são fundamentais pois permitem reduzir de forma substancial a dor melhorando a qualidade de vida em doentes com dor crónica.

As técnicas terapêuticas surgem na sequência do diagnóstico e tem como objetivo tratar a dor de uma forma mais efetiva. As mais usadas são as seguintes:

  • A Radiofrequência que consiste em inativar o nervo que enerva a zona que está a provocar a dor. Usada na dor lombar, dorsal ou cervical.
  • A Ozonoterapia que consiste em injetar ozono através de uma agulha na zona afectada e que tem propriedades analgésicas e anti-inflamatórias. Recentemente redescoberta no mundo ocidental como técnica para tratar alguns tipos de hérnias discais e artroses das articulações do joelho, anca e ombros.
  • A Neuroestimulação é usada para o alívio da dor neuropática, uma dor tipo queimadura e ardor. Consiste na colocação de uns eléctrodos por via epidural, via que se utiliza para a grávida, que depois se ligam a um estimulador que fica implantado no doente, tal como um pacemaker.
  • Laser intradiscal permite tratar hérnias discais de forma minimamente invasiva e com uma elevada taxa de sucesso

Autor: 
Dr. Armando Barbosa - Diretor Clínico da Paincare - Clínicas de Dor.
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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