Doença neurodegenerativa

Fique a conhecer a Demência de Alzheimer

Atualizado: 
20/09/2019 - 11:34
A doença de Alzheimer é a principal causa de demência a nível mundial, estimando-se que haja mais de 28 milhões de pessoas a viver com esta doença. Para que possa entender o que é a Demência de Alzheimer, os neurologistas Joana Vítor e José Vale, escrevem sobre as causas, os sintomas e o seu tratamento.

O que é a demência de Alzheimer?

É uma doença neurodegenerativa de evolução progressiva que afeta a memória, capacidade de raciocínio e comportamento, levando a uma dificuldade em executar as tarefas do dia-a-dia nos estádios mais avançados. Esta demência foi descrita pela primeira vez em 1906 por Alois Alzheimer.

Quais são os sintomas de demência de Alzheimer?

Geralmente, o primeiro sintoma da doença são alterações da memória. Estas alterações agravam progressivamente e, numa fase mais avançada, ocorre também outros sintomas cognitivos, como confusão, desorientação em locais familiares, alteração da personalidade e humor, dificuldades no planeamento de tarefas, tomada de decisões, locomoção e fala.

Qual a importância da doença no mundo e, particularmente, em Portugal?

De acordo com dados da OMS estima-se que o número total de doentes a nível mundial ultrapasse os 25 milhões, prevendo-se que, com o envelhecimento demográfico, este número triplique até 2050. Em Portugal, o número de pessoas com demência ronda os 180 000, dos quais 50 a 70% têm DA. 

O que causa a demência de Alzheimer?

As causas da DA são ainda mal conhecidas. Admite-se que esta resulte de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, identificando-se alguns factores que se associam a um risco aumentado de DA. Os fatores ‘não-modificáveis’ são: idade superior a 65 anos (o mais importante), género feminino e ter um parente em 1º grau com DA. Os factores ‘modificáveis’, mais importantes pois a sua correção pode minimizar o risco da doença, incluem: alteração do sono (apneia obstrutiva do sono), depressão, baixo nível de escolaridade e condições ou doenças que causam doença vascular: hipertensão arterial, o tabagismo, a diabetes, a obesidade e o sedentarismo.

Qual a importância da hereditariedade?

Sabe-se que ter familiares com DA aumenta um pouco o risco de desenvolver a doença. São raras (<3%) as formas de DA por transmissão hereditária de um único gene. Nestes casos a doença manifesta-se mais precocemente (antes dos 65 anos), têm habitualmente uma evolução mais rápida e é possível identificar outros casos na família com as mesmas características.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica (incluindo a história familiar e sintomas), na avaliação formal das funções cognitivas (avaliação neuropsicológica) e no resultado de alguns exames, nomeadamente a TAC e/ou a Ressonância magnética do crânio. Em alguns casos pode ser útil a realização de exames mais diferenciados como a pesquisa de marcadores no líquido cefalo-raquidiano ou recorrer a cintigrafia cerebral – ex. SPECT ou PET.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Os tratamentos atualmente disponíveis (donepezilo, rivastigmina, galantamina e memantina) atenuam os sintomas associados à doença e permitem melhorar a qualidade de vida dos doentes. Embora não exista ainda cura para a DA, nos últimos anos tem vindo a ser desenvolvida uma intensa investigação para encontrar fármacos capazes para interromper ou atenuar o processo degenerativo a nível cerebral.

Autor: 
Dra. Joana Vítor e Dr. José Vale - Neurologistas
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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