O que precisa saber

Cefaleia em salvas: sintomas e tratamento

Atualizado: 
23/04/2020 - 15:30
Também conhecida como cefaleia suicida, a cefaleia em salvas é, de acordo com a MiGRA Portugal – Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias, “uma das doenças mais dolorosas conhecidas pela humanidade”. Trata-se de um tipo raro de dor ocular que aparece apenas de um lado da fronte e que se pode acompanhar de lacrimejar, olho vermelho, pingo no nariz, queda da pálpebra superior e pupila pequena.

Afetando sobretudo o sexo masculino, estima-se que a cefaleia em salvas atinja três em cada 1000 pessoas, o que faz desta um tipo de cefaleia rara. E embora as suas causas permaneçam desconhecidas, alguns estudos demonstram que é mais frequente entre os fumadores, existindo ainda uma certa predisposição genética para o seu desenvolvimento, já que é frequente atingir várias pessoas da mesma família.

O seu pico de incidência situa-se entre os 20 e os 40 anos de idade e os surtos estão muitas vezes associados a fatores desencadeantes, como o consumo de álcool, tabaco e alguns medicamentos. As alterações dos padrões do sono também parecem influenciar o seu desenvolvimento.

Principais características

De acordo com MiGRA Portugal – Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias, as cefaleias em salvas apresentam-se em ciclos que, na maioria dos doentes, podem durar entre um a três meses, sendo mais comuns na primavera e outono.

No entanto, 20% dos doentes apresentam cefaleias em salva crónicas, apresentando ciclos contínuos sem intervalos livres de crises.

Durante estes ciclos os doentes sentem várias crises por dia, cada uma com uma duração que pode ir de 15 minutos a três horas. 

As crises são mais frequentes durante a noite e madrugada e, habitualmente, repetem-se sempre no mesmo horário e com aproximadamente a mesma duração todos os dias.

Durante as crises de cefaleias em salva, os doentes ficam muito agitados e completamente incapacitados de realizar qualquer tarefa.

Sintomas

  • Dor intensa e unilateral, localizada sobre o olho e/ou têmpora;
  • Olho vermelho ou lacrimejante do lado da dor;
  • Pálpebra descaída;
  • Congestão nasal;
  • Agitação.

Diagnóstico

O diagnóstico da cefaleia em salvas baseia-se essencialmente no padrão típico dos sintomas e na história do doente.

Em alguns casos, o médico pode pedir alguns exames para exclusão de patologia intracraniana

Tratamento

Ao contrário do que acontece com outro tipo de cefaleia, na cefaleia em salvas os analgésicos e anti-inflamatórios são pouco eficazes. Segundo a MiGRA Portugal, o seu tratamento “é usualmente feito com recurso a triptados ou oxigénio de alto débito”.

A estimulação não invasiva do nervo vago é outra das opções terapêuticas para tratar as crises.

Em matéria de terapêutica preventiva, a prednisona, ou o bloqueio do nervo occipital maior (com um anestésico local e um corticosteroide) pode ajudar a evitar as crises recorrentes. A longo prazo podem ser administrados medicamentos indicados para enxaqueca.

Em que casos a dor de cabeça pode ser um sinal de alerta?

O acompanhamento por um médico e instituição de medicação adequada é recomendável sempre que as cefaleias impactem de forma negativa na vida quotidiana do doente.

Segundo a MiGRA Portugal, “sempre que se sente uma cefaleia intensa com características diferentes das que estamos habituados ou um aumento da frequência com que temos cefaleias devemos procurar aconselhamento médico”.

O recurso ao aconselhamento médico é muito importante, quer para despistar a existência de alguma outra patologia associada às cefaleias (nas cefaleias secundárias), como para diagnosticar as cefaleias primárias e implementar a terapêutica adequada.

Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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