Tumores

Carcinoma da tiroide: diagnóstico e tratamento

Atualizado: 
24/09/2019 - 15:24
Os nódulos da tiroide são uma patologia muito frequente, mas destes só 7 a 15% são malignos. A grande maioria são tumores bem diferenciados e têm bom prognóstico.

O número de casos diagnosticados por ano tem vindo a aumentar, a uma taxa de cerca de 5% por ano, devido a uma maior utilização de exames complementares de diagnóstico, ao rastreio e ao diagnóstico de tumores inferiores a 1 centímetro. Apesar deste aumento de casos diagnosticados, não se tem verificado um aumento da mortalidade associada ao cancro da tiroide porque, em geral, estes tumores de pequenas dimensões são indolentes, com baixa morbilidade e mortalidade.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por avaliação clínica de especialista desta área médica, seguido de exames complementares de diagnóstico, como a ecografia da tiroide, que permite caracterizar o nódulo, avaliar o risco de benignidade ou a suspeita de malignidade, bem como a existência de gânglios cervicais suspeitos e por citologia aspirativa ecoguiada do nódulo. O resultado deste último exame permite definir uma escala de benigno a maligno, com níveis indeterminados no meio (que pode obrigar a uma nova citologia). As análises sanguíneas da função tiroideia são habitualmente normais. Estão em estudo vários testes, como os moleculares, feitos através de citologia, que parecem muito promissores para aferir o diagnóstico e o prognóstico destes tumores.

Tratamento

O tratamento do carcinoma bem diferenciado da tiroide é cirúrgico. Nos tumores de baixo risco e pequenas dimensões a lobectomia, que corresponde à excisão de metade da tiroide, é suficiente para o controlo da doença, nos restantes é necessário realizar a tiroidectomia total, ou seja, retirar toda a glândula tiroideia. Se houver evidência de gânglios afetados deve ser feita a sua excisão através de uma linfadenectomia.

Se o tumor for agressivo ou com fatores de mau prognóstico, a terapêutica adjuvante é com iodo radioativo que tem poucos efeitos colaterais.

A terapêutica de substituição com hormona tiroideia é obrigatória nas tiroidectomias totais, mas também pode ser necessário nas lobectomias.

Complicações

As complicações mais preocupantes da cirurgia tiroideia são as paralisias das cordas vocais por lesão do nervo laríngeo recurrente e a hipocalcémia (baixa do cálcio no sangue) por lesão das glândulas paratiroideias. Estas lesões são mais frequentes na tiroidectomia total e menos frequentes em cirurgiões experientes nesta área.

Acompanhamento

O seguimento destes doentes é feito com exame clínico, análises específicas e ecografia cervical.

Como em todas as doenças oncológicas é fundamental uma equipa multidisciplinar que inclui as especialidades de Endocrinologia, Cirurgia, Radiologia, Anatomia Patológica, Medicina Nuclear e ORL.

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Autor: 
Dra. Isabel Nascimento - Cirurgia Geral Clínica Lusíadas Almada
Nota: 
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