Opinião

Melanoma: controvérsias

Apesar da incidência e mortalidade dos Cancros em geral vir a diminuir, em relação ao melanoma isso não acontece, sendo que, segundo o National Cancer Institute dos EUA, o número de novos casos de Melanoma tem vindo a aumentar em 1,5% ao ano. Isso é tanto mais preocupante quanto sabemos que, apesar de todas as medidas de prevenção que têm vindo a ser implementadas, a taxa de mortalidade só desceu 1,2%.

São vários os fatores de risco conhecidos para o melanoma sendo o mais importante a exposição intensa e de curta duração à radiação ultravioleta, em particular a radiação UVB. As queimaduras solares, os solários, a exposição solar recreacional intensa (férias relâmpago em países perto do equador) são tudo fatores relacionados com o aumento da incidência de melanoma.

Naturalmente que os fatores endógenos, como o tipo de pele de cada um – fototipo 1 e 2 - com pele clara, cabelo claro, olhos azuis e número de “sinais” presentes – nevos-, também são um fator de risco a considerar, assim como a história familiar ou pessoal de nevos atípicos e de melanoma no passado.

Na prevenção primária do cancro cutâneo e do Melanoma, as medidas de evição solar e de proteção solar têm merecido destaque. A recomendação de aplicação generosa e repetida de filtros solares tem sido uma das medidadas mais divulgadas. No presente, alguns estudos sobre a segurança dos vulgares filtros solares têm levantado dúvidas, nomeadamente em relação à absorção sistémica resultante da aplicação generosa dos mesmos e suas consequências, assim como o possível dano infligido à vida marinha e aos recifes de corais nos locais com exposição massiça a banhistas. Melhores e mais seguros filtros solares, sem as substâncias mais problemáticas como a oxibenzona, têm vindo a ser aconselhados.

No campo da prevenção secundária, no respeitante às campanhas de rastreio de cancro cutâneo e diagnóstico precoce, também têm surgido controvérsias sobre a sua utilidade. É que, apesar de todo o esforço desenvolvido, a taxa de mortalidade referente ao melanoma baixa muito pouco. Especialistas nos EUA debatem a utilidade das mesmas, riscos do sobrediagnóstico, das intervenções excessivas e efeitos cosméticos das mesmas (cicatrizes) versus os resultados clínicos práticos – mais vidas salvas.

No entanto, apesar de todas as controvérsias, os dermatologistas dos diferentes estudos são consensuais: é necessário continuar a proteger da exposição solar excessiva e fazer vigilância dermatológica no seu especialista – o dermatologista.

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Dra. Leonor Girão - Dermatologista na Clínica Dermatologia do Areeiro
Nota: 
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