O tratamento é sempre prolongado

"É possível controlar a tuberculose"

Atualizado: 
24/03/2017 - 10:45
Tosse que dura há mais de duas semanas, cansaço, febre e emagrecimento são alguns dos sintomas mais frequentes da Tuberculose, uma doença infeto-contagiosa que em Portugal tem vindo a diminuir progressivamente. Para assinalar o Dia Mundial da Tuberculose, a pneumologista Aurora Carvalho fala-nos da patologia e seu tratamento. “O tratamento da tuberculose é sempre prolongado, no mínimo de seis meses, e implica sempre tomar vários fármacos”.

A tuberculose é uma doença infeto-contagiosa, curável, causada por uma micobactéria -­  Mycobacterium tuberculosis (Mt).

A transmissão da tuberculose ocorre por via inalatória, por isso nem todos os doentes com tuberculose envolvem risco de contágio.

Um doente com tuberculose pulmonar, bacilífero, quando tosse, espirra, fala, canta, elimina  bacilos em suspensão em gotículas ­de 5  a 10 mícrons de diâmetro, contendo 1-10 bacilos em suspensão.

Estes bacilos podem ser inalados pelos indivíduos com contacto  próximo com o doente. Dos contactos próximos só em 30 % dos casos o bacilo consegue  multiplicar-se e  10% destes contatos correm risco de  desenvolver doença ao longo da vida, se não fizerem tratamento preventivo.

As criança e os indivíduos imunodeprimidos têm um risco elevado de ficarem infetados e de desenvolverem doença.

A tuberculose continua a ser um problema de Saúde Pública a nível mundial. Em 2015 foram estimados 10,4 milhões de novos casos no mundo, destes, 10% ocorreram em crianças e 11% em indivíduos infetados com o vírus da imunodeficiência humana (VIH). Seis países são responsáveis por 60% dos novos casos : Índia, Indonésia, China, Nigéria, Paquistão e África do Sul.

Em 2015 foram estimadas 1,4 milhões de mortes por tuberculose e 400 000 mortes por tuberculose em doentes com VIH,  apesar do número de mortes por tuberculose ter caído 22% entre 2000 e 2015

A incidência de tuberculose em Portugal  tem vindo a diminuir progressivamente e o  país  está   incluído no grupo de países de baixa incidência.  As regiões de grande Porto, Lisboa e Setúbal e Faro  são as regiões do país que têm incidência mais elevada.

O risco de contatar com doente bacilífero tem vindo a diminuir mas é fundamental pensar que a doença pode ocorrer. O diagnóstico deve ser feito rapidamente para impedir que a doença se transmita na comunidade.

Os sintomas mais comuns são tosse que dura há mais de 2 semanas, por vezes acompanhada por outros sintomas: suores durante a noite, emagrecimento, falta de forças, cansaço, febre ao fim do dia, por vezes expetoração com sangue.

O diagnóstico de tuberculose pulmonar na maior parte dos casos é  fácil e os meios para confirmar o diagnóstico são baratos podendo obter os resultados em poucas horas. Essencialmente precisamos de uma  realizar uma radiografia do tórax e de colher duas amostras de expetoração para pesquisa de micobactérias.

A maior parte dos casos de tuberculose no nosso país são sensíveis aos fármacos mais potentes que dispomos para tratar a doença, por isso o tratamento é eficaz, cura a doença e na maior parte dos casos não deixa sequelas.

O tratamento da tuberculose é sempre prolongado, no mínimo de seis meses, e implica sempre tomar vários fármacos.

É necessário que o doente compreenda que tomar a medicação sem falhas é essencial para conseguir a cura, para evitar recaídas e para prevenir o aparecimento de formas de doença resistentes aos fármacos.

A medicação deve ser tomada em regime de TOD – toma observação direta – para assegurar toma correta, vigiar efeitos secundários dos fármacos e  prevenir resistências.

O tratamento dos doentes com tuberculose resistente é mais complicado, implica usar maior número de fármacos em simultâneo, habitualmente com mais efeitos secundários e por tempo mais prolongado.

A vacina BCG é a única vacina disponível para a tuberculose. Esta vacina  não protege o desenvolvimento da doença  mas previne  o desenvolvimento de formas graves de tuberculose na infância.

Em Portugal a vacina deve ser administrada em crianças de risco de acordo com as recomendações da Direção Geral da Saúde.

 

Dra. Aurora Carvalho - Pneumologista Hospital Lusíadas Porto
Nota: 
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