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Vigilância global da gripe

Caso uma pandemia de gripe não possa ser evitada, é possível reduzir o seu impacto global. Saiba como é feita a vigilância.

Embora os vírus da gripe sejam muito instáveis e o seu comportamento imprevisível, as estratégias de vigilância global da gripe permitem reduzir o impacto de uma pandemia. A prevenção passa pela implementação de sistemas de vigilância global e continuada — epidemiológica, clínica e virológica; utilização atempada de métodos de diagnóstico adequados; vacinação generalizada da população, logo que existam vacinas (vacinação prioritária de grupos de risco); prescrição racional de medicamentos antivíricos eficazes e numa intervenção comunitária efectiva.

A vigilância da gripe deve decorrer continuamente ao longo do ano, tendo como finalidade a recolha e a análise de informação essencial à monitorização da actividade dos vírus da gripe e respectiva doença. Os resultados deste tipo de avaliação são importantes para a emissão de recomendações que visam a produção anual de vacinas antigripais.

Genericamente, os objectivos de um sistema de vigilância global são:

  1. Monitorização temporal e espacial da circulação dos diferentes tipos e subtipos de vírus (habituais, emergentes e reemergentes) incluindo os vírus não habituais mas com potencial pandémico;
  2. Análise das características antigénicas das estirpes circulantes, incluindo novas variantes;
  3. Avaliação da morbilidade e da mortalidade associadas à gripe.

Quanto mais precoce for a detecção dos vírus com potencial pandémico, mais rápida será a implementação de medidas de controlo eficazes e mais precoce será o início da produção de vacinas específicas. Um sistema de vigilância efectivo é crucial para a detecção dos vírus circulantes e dos primeiros indícios da sua transmissão inter-humana. Como os vírus da gripe se disseminam com grande rapidez, os sistemas de vigilância (epidemiológica, clínica e virológica) devem ser articulados à escala mundial.

Sistema Nacional
Em Portugal, o sistema nacional de vigilância da gripe é coordenado pelo Centro Nacional da Gripe, em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde e o Observatório Nacional de Saúde. Integra as componentes epidemiológica/clínica e virológica da vigilância da gripe, alicerçadas em informações clínicas e laboratoriais obtidas numa rede de médicos sentinela e nos serviços de urgência dos hospitais e centros de saúde. Através da recolha e análise da informação, o sistema de vigilância permite estimar a morbilidade da gripe, identificar surtos, caracterizar as estirpes de vírus, e facilitar intervenção dos serviços de saúde em termos de implementação de acções de prevenção e aconselhamento terapêutico.

Sistema Mundial
É um sistema de vigilância de base virológica, coordenado pela Organização Mundial de Saúde. Integra uma rede internacional de laboratórios que monitoriza a circulação dos vírus da gripe, e tem capacidade para detectar a emergência de novos vírus com potencial pandémico. É constituído por uma rede de 112 laboratórios nacionais, em 83 países (incluindo Portugal), e 4 centros mundiais de referência sedeados em Atlanta, Londres, Melbourne e Tóquio.

Sistema Europeu
Este sistema – European Influenza Surveillance Scheme (EISS) – faz parte da Rede Europeia de Vigilância Epidemiológica e Controlo de Doenças Transmissíveis, e integra os laboratórios nacionais de 23 países. Combinando a vigilância clínica e serológica da gripe, este sistema permite efectuar a monitorização da actividade dos vírus da gripe na Europa, e funciona como um sistema de alerta precoce do impacte das epidemias.

Fonte: 
DGS
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Foto: 
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