Dia Mundial da Visão

A Síndrome do Olho Seco

Neste Dia Mundial da Visão chamamos a atenção para o Olho Seco, síndrome que se revelou o tema central do ESCRS - European Society of Cataract & Refractive Surgeons, congresso europeu cuja edição deste ano decorreu em Lisboa e que reuniu os principais especialistas na área da oftalmologia.

A síndrome do Olho Seco é uma doença que afeta entre 10% a 20% da população, com uma prevalência associada à idade e às condições ambientais atuais, tais como a utilização excessiva de aparelhos eletrónicos, a deficiente luminosidade dos locais de trabalho e a poluição, sendo que a tendência é para que esta percentagem se agrave nas próximas décadas.

Os sintomas do Olho Seco são vários, entre os quais o ardor, a sensação de corpo estranho, a fotofobia (sensibilidade à luz), a irritação, o olho vermelho e a turvação momentânea e repetitiva de visão que melhora com o pestanejar seguida de lacrimejo, mas de forma excessiva.

A produção do filme lacrimal é afetada por fatores hormonais, pela poluição, por alérgenos ou traumatismos vários.

Nesta síndrome, o filme lacrimal está deficitário, ou porque há uma produção insuficiente de lágrimas ou porque há uma evaporação excessiva de lágrima. Esta segunda forma, a evaporação excessiva, é responsável por cerca de 80%-85% dos doentes com olho seco.

De uma forma sucinta, podemos dizer que o filme lacrimal é constituído por três camadas: camada mucínica, camada aquosa e camada lipídica, a mucínica junto à córnea (interna), a aquosa a do meio e a lipídica a camada em contacto com o ar. Uma camada lipídica deficitária facilita uma evaporação da camada aquosa. Esta camada lipídica é produzida pelas glândulas de meibomius. A deficiência da camada lipídica leva a uma excessiva evaporação das lágrimas, instabilidade do filme lacrimal e a uma resposta inflamatória da conjuntiva.

A síndrome do olho seco representa ainda um impacto financeiro considerável na sociedade e é responsável pelo decréscimo da qualidade de vida nos doentes que dela sofrem.

Até ao momento, a solução disponível era a colocação de gotas de uma lágrima artificial, várias vezes ao dia, de forma repetitiva, com custos elevados e sobretudo com uma instabilidade do filme lacrimal que pode permitir o desenvolvimento de doenças mais graves como sejam infeções conjuntivais ou micro-ulcerações do epitélio corneano.

Hoje, assistimos ao aparecimento de um aparelho que produz a emissão de uma luz pulsada policromática usando uma nova tecnologia IPL (Intense Regulated Pulsed Light) e capaz de gerar uma sequência calibrada de emissões. Este impulso vai estimular as glândulas de meibomius de forma segura e, como tal, a glândula reinicia a sua produção lipídica, restaurando o filme lacrimal com o consequente desaparecimento dos sintomas.

Estudos clínicos demonstram a eficácia de 84% depois do primeiro tratamento e uma satisfação acima de 86% dos doentes intervencionados.

No estudo clínico recente apresentado no ESCRS, comprova-se que a tecnologia da IPL melhora a qualidade do filme lacrimal e reduz os sintomas associados ao olho seco; que não foram encontrados efeitos adversos em nenhum dos doentes tratados até agora e que este tratamento produz resultados mais duradouros do que os tratamentos convencionais.

Pioneiros no tratamento a laser para o Olho Seco, com mais de 400 tratamentos feitos em menos de um ano, revelamos uma taxa de satisfação acima dos 90% e, em mais de 90% dos casos, assistimos ao desaparecimento da sintomatologia.

O tratamento a laser, que se iniciou na Europa no ano passado, está agora a ser implementado na Ásia, na América do Norte e na América do Sul.

Prof. Doutor Eugenio Leite - Médico Oftalmologista e Diretor Clínico das Clínicas Leite
Nota: 
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