Aumento da procura

Seguros para doenças graves: é preciso atender às exclusões

Segundo a ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões), em 2015 os prémios brutos emitidos pela atividade dos seguros de saúde alcançaram 972.662 mil euros, o que revela um aumento de 23,6% face ao ano precedente. Com o aumento da procura por seguros de saúde que cubram doenças graves, as seguradoras têm desenvolvido soluções para dar resposta às exigências dos consumidores portugueses. No entanto, é preciso ter em atenção que a maior parte dos seguros exclui doenças graves que já se encontrem em estado avançado.

O número de pessoas em Portugal com doenças graves – oncológicas e de outro foro – tem aumentado de ano para ano, ao passo que o desenvolvimento da Medicina e o diagnóstico atempado têm permitido o crescimento dos casos de tratamento com sucesso e a melhoria da qualidade de vida das pessoas a quem são diagnosticadas doenças desta natureza.

Os próprios seguros de saúde, cuja contratação tem vindo a aumentar, podem ter contribuído para uma maior assiduidade na realização de check-ups anuais (o que permite o referido diagnóstico atempado), bem como para a concretização de melhores tratamentos.

Para quem considera o seguro de saúde como essencial e coloca de parte uma porção do seu orçamento mensal para esta despesa, existem três aspetos a ter em consideração na hora de procurar o que existe no mercado: quais são as enfermidades que estão efetivamente cobertas pelo pacote do seguro? Quais as especificidades em que a pessoa segura está efetivamente segurada? Até que valores podem chegar os prémios anuais?

Para responder a estas questões, tomemos o perfil exemplificativo da Joana, com 35 anos de idade, casada e com dois filhos. Preocupada com a sua saúde e com a dos seus – especialmente depois de ter recebido a notícia de que uma das suas colegas de trabalho havia sido diagnosticada com cancro da mama -, resolveu percorrer o mercado dos seguros de saúde contra doenças graves e deparou-se com uma série de exclusões.

Geralmente, um seguro de saúde para doenças graves pode abarcar seis grandes coberturas. Em primeiro lugar, uma das coberturas que geralmente se encontra sempre incluída é a da hospitalização (período em que o paciente permanece no hospital).

Em segundo lugar, há que mencionar o subsídio diário em caso de internamento - trata-se de um valor fixo para fazer face a gastos que surjam enquanto o paciente se encontra internado e que não façam parte da cobertura de internamento - e a chamada cobertura internacional – vocacionada especialmente para quem vive, trabalha ou estuda no estrangeiro, oferecendo uma proteção global, mas também dando a possibilidade de o segurado, diagnosticado em Portugal, se tratar noutro país.

No âmbito desta última cobertura, podem estar incluídos os custos da viagem, do acompanhante e até o alojamento no exterior, bem como o transporte em ambulância (se o mesmo for necessário).

Estes seguros podem abranger ainda a chamada medicina preventiva, que engloba em si a prevenção de doenças, seja esta materializada em rastreios, programas de vacinação ou aconselhamento médico, por exemplo.

Finalmente, cabe mencionar o rol de doenças que geralmente se encontram efetivamente cobertas pelos seguros para doenças graves (que costumam ser transversais a todas as soluções): as mais contempladas são as oncológicas e os enfartes do miocárdio, seguindo-se as neurocirurgias, bypass de artérias coronárias e transplantes de órgãos.

Relativamente às exclusões, é importante referir que o Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA) - ou qualquer tipo de complicação que surja em decorrência do mesmo - nunca está abrangido por estes seguros. Alguns pacotes excluem ainda pessoas que careçam de hemodiálise, assim como de transplantes de órgãos ou tecidos.

Mas quanto pagaria a Joana por um seguro para doenças graves? O prémio de um produto desta natureza pode oscilar entre os 450 e os 1200 euros – as diferenças podem assim chegar aos 750 euros. Quantas mais coberturas estiverem incluídas, mais elevado será o prémio, à partida.

Porém, há que salientar que, regra geral, os seguros de saúde nos quais estão contratadas as coberturas de doenças graves dizem respeito aos pacotes premium, isto é, os que possuem prémios mais elevados e aqueles em que a pessoa segurada tem, consequentemente, um capital universal muito mais elevado.

Por norma, os planos com capitais universais mais abrangentes só podem ser contratados como complemento à oferta-base, não podendo ser contratados independentemente.

Ainda assim, para além da opção de ter um seguro de saúde mais amplo, existe ainda uma outra solução já disponível no mercado português: a possibilidade de contratar um outro seguro isoladamente, vocacionado especificamente para doenças graves, que complemente o seguro de saúde que já se tenha, e que poderá acabar por ter um preço muito mas competitivo do que um seguro de saúde premium.

A aposta dos portugueses na contratação de um seguro de saúde é cada vez maior, tal como indicam os estudos que têm sido levados a cabo nesta área – só no espaço de um ano, de 2014 para 2015, registou-se um crescimento na ordem dos 3%. Porém, este tipo de coberturas [doenças graves] não costuma constar nos planos base dos seguros de saúde, uma vez que estas doenças constituem um risco maior para as seguradoras, esclarece e conclui Miguel Mamede, responsável pela área de seguros do ComparaJá.pt.

Fonte: 
ComparaJá.pt
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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