Qual a importância?

Saúde oral das pessoas idosas

A saúde oral é considerada como uma parte integrante da saúde geral. As doenças da boca e dos dentes têm consequências negativas na qualidade de vida das pessoas.
Saúde oral idoso

Muitos dos factores de risco das doenças orais são comuns a diversas doenças crónicas, como é o caso da diabetes, doenças cardiovasculares e outras.

Assim, quando se adoptam estilos de vida promotores da saúde previnem-se muitas das doenças gerais, assim como as doenças orais mais prevalentes como a cárie dentária e as doenças periodontais.

A ausência parcial ou total de dentes traz graves consequências a nível da saúde física e emocional. A capacidade de mastigação torna-se muito reduzida afectando as escolhas alimentares, contribuindo para défices nutricionais e, consequentemente, para um risco aumentado de aparecimento de outras doenças. As pessoas tendem a evitar os alimentos ricos em fibras e escolhem alimentos com menor valor nutricional, elevados teores de gorduras saturadas e colesterol.

A falta de dentes também dificulta a comunicação interpessoal promovendo o isolamento das pessoas.

A falta de dentes que muitas das pessoas idosas apresentam deve-se, essencialmente, à progressão da cárie dentária e das doenças periodontais, ao longo da vida. A progressão da cárie dentária leva à destruição dos dentes e a progressão das doenças periodontais levam à destruição dos tecidos de suporte dos dentes (gengivas, osso alveolar e ligamento que une o dente ao osso). Estas doenças têm um factor causal comum – a placa bacteriana.

A placa bacteriana (ou o chamado biofilme oral) é uma massa formada essencialmente por bactérias, constituintes da saliva e restos alimentares, que adere fortemente aos dentes, devendo ser removida diariamente, no mínimo duas vezes por dia.

As práticas adequadas de higiene oral, como a escovagem dos dentes e a limpeza interdentária, removem a placa bacteriana. Estas práticas diárias, que se recomendam a todas as pessoas, desde o nascimento dos primeiros dentes, são as que mais contribuem para a manutenção dos dentes durante toda a vida, e consequentemente, para a manutenção de uma boa saúde oral.

Também o facto de neste grupo etário, muitas pessoas tomarem vários medicamentos, traz efeitos importantes na saúde oral. Existem muitos medicamentos, como os anti-hipertensores, anti-depressivos, anti-histaminicos e outros, que têm como consequência a diminuição do fluxo salivar (xerostomia). A saliva tem uma acção de protecção muito importante, pelo que a diminuição da quantidade produzida, torna as pessoas muito mais vulneráveis ao aparecimento e/ou agravamento de diversos problemas orais, inclusive cárie dentária e doenças periodontais, sendo necessário intensificar a escovagem dos dentes e, eventualmente, utilizar produtos específicos que promovam maior produção de saliva.

A perda de dentes devido a doenças orais não é pois uma consequência inevitável do envelhecimento. Hoje, é possível manter a dentição saudável durante toda a vida.

Recomendações:

  • Escovar os dentes diariamente, duas ou mais vezes por dia, sendo uma delas à noite antes de dormir.
  • Usar uma escova de dentes com filamentos de textura macia; a escova de dentes é um objecto pessoal e intransmissível.
  • Substituir a escova quando os pelos começam a ficar deformados; normalmente a escova deve ser substituída de 3 em 3 meses.
  • Utilizar um dentífrico com flúor. Quase todos os dentífricos contêm este elemento. O flúor torna os dentes mais resistentes e contribui para a prevenção da cárie dentária.
  • Limpar os espaços entre os dentes, onde a escova não chega; utilizar escovilhões ou fio dentário (à venda em superfícies comerciais ou farmácias). O escovilhão ou fio dentário é um complemento para uma boa higiene oral, devendo ser utilizados diariamente, pelo menos uma vez por dia.
  • Se usar prótese dentária, escovar a prótese diariamente com uma escova própria e utilizando sabonete neutro, dentífrico não abrasivo ou outro produto destinado a esse efeito.
  • Prestar atenção ao eventual desgaste da prótese e ao seu ajuste na boca. As próteses devem estar bem adaptadas para não provocarem lesões nas mucosas e para permitirem a adequada mastigação dos alimentos.
  • Observar frequentemente, com iluminação adequada, os lábios, dentes, mucosas e língua. Se observar alguma alteração comunique ao médico assistente.
  • Visitar regularmente o profissional de saúde oral (estomatologista, dentista ou higienista oral) para este diagnosticar, o mais precocemente possível, alguma alteração que necessite tratamento.

É essencial a realização diária das práticas de higiene oral. Nos casos em que esteja dependente de outros, a pessoa idosa poderá ter ajuda para a execução da escovagem dos dentes e da limpeza interdentária, por parte de um familiar, de outra pessoa que lhe preste cuidados ou de um técnico da especialidade.

Nunca é tarde demais para adoptar estilos de vida promotores da saúde!

Fonte: 
DGS
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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