4 considerações para ir à praia

Que o cancro não impeça de desfrutar das férias

Chega o momento esperado: férias, praia e descanso. Todos nós merecemos aquele momento em que podemos desligar das preocupações. As pessoas que estão a enfrentar um cancro também merecem tirar um tempo de férias, se assim for permitido pelo médico, e aproveitar esse momento de relaxamento. E as pessoas que se encontram nesta situação podem ir para a praia? A menos que o médico desaconselhe, a resposta é afirmativa, sendo realista e consciente de que provavelmente as férias não serão as mesmas que eram até então.

O poder ir à praia depende da tipologia do tumor e dos cuidados específicos que a pessoa necessita, mas normalmente é recomendável para que o doente possa distrair-se e disfrutar com os amigos e família. Também depende da etapa em que se encontre. Quatro recomendações para aproveitar ao máximo as férias:

Looks para ganhar confiança e sentir-se cómoda: cabelo

Uma das questões em que mais se pensa no verão é o aspeto físico, a “operação bikini”, e na aparência. Este tema adquire um interesse renovado nas mulheres que passaram ou estão a passar por sessões de quimioterapia ou mesmo radioterapia e perderam o cabelo. Nesse caso, existem várias opções para fazer frente a uma possível perda de segurança.

Em primeiro lugar, não há nada a esconder, e muito menos no século XXI, quando todas as possibilidades estéticas são aceites e há um salto qualitativo na informação. Assim, uma primeira escolha seria optar por levar o cabelo rapado. Há outras pessoas que preferem usá-lo de maneira natural, da mesma forma que as pessoas que não estão a passar por esta patologia também decidem usá-lo dessa maneira. Mas, para ir à praia, essa é a escolha menos recomendável, porque o couro cabeludo não está habituado ao sol e pode sofrer queimaduras facilmente. Aqueles que optarem por não cobrir a cabeça devem colocar protetor solar, com FPS 50 nesta área, orelhas e rosto.

Uma segunda possibilidade é usar uma peruca. Para a praia, em particular, as sintéticas costumam ser as mais recomendadas: as perucas ficam bem mesmo se ficarem um pouco molhadas no mar ou na piscina e apesar da exposição ao sol. As perucas feitas com cabelo natural tendem a ser mais pesadas e mais quentes no verão. É aconselhável perguntar ao comprá-la se pode ser lavada e como.

Uma terceira opção, que podemos considerar ideal para os amantes da moda, é usar um lenço (ou até mesmo um chapéu) para combinar com o fato de banho ou biquíni.

Planificar as férias tendo em conta a programação do tratamento

Mesmo antes de embarcar num período de férias, devemos levar em conta as datas de consultas médicas e sessões de quimioterapia ou radioterapia. Se a interrupção ocorrer após o tratamento ter sido realizado, não é necessário reservar uma data muito próxima à da finalização por qualquer imprevisto que possa surgir nos horários.

Se a viagem for antes, durante ou depois do tratamento é importante levar números de telefone importantes e estar preparado: levar todos os medicamentos e ter outro médico localizado na área de destino para possíveis casos de emergência. Pessoas com cancro devem perguntar ao médico sobre a flexibilidade do cronograma de tratamento e estudos clínicos. É preciso conhecer as sessões, mas pode tentar chegar a uma data consensual.

No caso de ter sido submetido a uma cirurgia, não é aconselhável ir de férias imediatamente e, no caso de fazê-lo, pelo menos, escolher um local conhecido com assistência médica.

É importante comunicar com a família e amigos e procurar o próprio bem-estar: se nos sentimos bem, podemos fazer o bem aos outros. Talvez a pessoa com a patologia não se sinta suficientemente bem ou com vontade de ir de férias num determinado momento. Aqui estão duas questões importantes: dizer às pessoas próximas como se sente e as preferências.

As duas últimas dicas seriam certificar-se de que as expectativas para as férias são realistas (é provável que não esteja nas mesmas condições que costuma estar) e delegar a outra pessoa os preparativos e tarefas, dedicando tempo suficiente ao descanso.

Looks para ganhar confiança e sentir-se confortável: próteses

Após uma mastectomia, muitas mulheres acham difícil adaptar-se à nova aparência. Em primeiro lugar, para ver as coisas de outra perspetiva, a maioria das mulheres sente vergonha quando usa roupa de banho. Assim, não há razão para se sentir especialmente observada ou analisada.

Há marcas de fatos de banho que desenham para mulheres que tenham tido este tipo de intervenção cirúrgica, com decotes mais altos e mais espaços fechados que escondem cicatrizes; bem como com bolsos incorporados no sutiã para colocar as próteses mamárias, como conta a organização para a divulgação de assuntos relacionados com o cancro da mama Breastcancer.org.

Na praia, recomendam-se próteses específicas para nadar, que possuem menor densidade, flutuam melhor que as convencionais e permitem que a água flua naturalmente pelo peito.

Cuidados com o sol

Os raios ultravioletas (UVA e UVB), que produzem o bronzeamento, também podem dar lugar a alterações celulares que predispõem ao cancro. Todos nós temos que ter cuidado com o sol, mas especialmente as pessoas que estão a passar por um estado de saúde complicado. As piores horas para a exposição ao sol são entre as 10h00 e as 16h00.

Neste horário, o nível de radiação ultravioleta é mais alto e mais cancerígeno. Na pele normal, é aconselhável uma exposição que vá aumentando em 10 minutos por dia, não excedendo no primeiro dia os 15 minutos. Os fatores de proteção devem ser aplicados entre 30 e 45 minutos antes de iniciar cada exposição ao sol e devem ser aplicados com frequência, especialmente após o banho.

Abusar dos raios solares pode piorar os efeitos secundários de alguns tipos de quimioterapia e pode ser especialmente prejudicial em casos de melanoma e até mesmo noutros tipos de cancro, como cancro do pulmão. Recomenda-se que as pessoas que tiveram um melanoma não se exponham ao sol e, se o fizerem, devem tomar medidas extremas de proteção.

Aconselha-se os doentes com cancro do pulmão, especialmente aqueles tratados com medicamentos que bloqueiam o receptor do fator de crescimento epidérmico (anti-EGFR), a protegerem-se da exposição solar excessiva, aplicar o protetor solar com fator 50 várias vezes ao dia e usar barreiras físicas para se proteger dos raios solares, bem como aplicar hidratante uma ou duas vezes por dia, especialmente nas mãos e nos pés.

Em geral, a pele da área onde a terapia de radiação é administrada deve ser protegida do sol com um fato de banho ou outra peça de roupa, porque ainda pode estar vermelha ou queimada devido ao tratamento. Nesta situação, também é necessário perguntar ao especialista se o uso de protetores solares pode irritar a pele irradiada.

Uma consideração que passa sempre despercebida é a necessidade de fotoproteção solar à volta dos olhos e uso de óculos. No verão, o uso de chapéus é aconselhável. Também não devemos esquecer a importância da nutrição adequada: alimentos como vegetais verdes, ricos em vitamina C, funcionam como antioxidantes e ajudam a aliviar os efeitos negativos do sol.

Dra. Adriana Terrádez - Diretora da OncoDNA para Espanha Portugal e América Latina
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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