Os vários disponíveis

Métodos contraceptivos

Existem actualmente vários métodos contraceptivos, embora nenhum pode ser considerado "o ideal", uma vez que todos têm vantagens e inconvenientes.
Métodos contraceptivos

Existem actualmente vários métodos contraceptivos, embora nenhum pode ser considerado "o ideal", uma vez que todos têm vantagens e inconvenientes.

Antes de optar por um dos muitos métodos contraceptivos disponíveis no mercado nacional, deve procurar aconselhar-se sobre qual o mais adequado ao seu caso, tendo em conta o grau de protecção proporcionado, a forma de utilização, as precauções, efeitos secundários, etc. 

Classificação dos métodos

1. Métodos físicos ou de barreira
- Diafragma
- Preservativo masculino
- Preservativo feminino
- Espermicida

2. Métodos hormonais
- Anel vaginal
- Implante subcutâneo
- Injectáveis
- "Pílula"

3. Métodos intra-uterinos
- DIU

4. Métodos cirúrgicos
- Laqueação das trompas
- Vasectomia

5. Métodos naturais/comportamentais
- Calendário – Ogino-Knaus
- Temperatura basal
- Muco cervical – Billings
- Sinto-térmico
- Coito interrompido

6. Contracepção de emergência
- Pilula do dia seguinte 

1. Métodos físicos ou de barreira 

Diafragma
O diafragma consiste numa membrana de borracha flexível reforçada na extremidade livre com um aro metálico, o qual mantém o seu contorno circular, devendo ser colocado no fundo da vagina, de modo a revestir o cérvix e impedir a entrada no útero do sémen proveniente da ejaculação. De qualquer forma, como a adaptação da membrana ao colo do útero não é perfeita, podendo até ser alterada ao longo do acto sexual, recomenda-se a utilização simultânea de algum produto espermicida para que a adaptação seja mais conveniente. Como existem diafragmas de várias medidas, com diâmetros que variam entre os 50 e os 100 mm, deve ser o médico a recomendar as dimensões mais adequadas após comprovar, através de um exame vaginal, as do colo do útero.

Método de utilização:
O diafragma deve ser colocado até 6 horas antes do coito, após a aplicação de gel ou creme espermicida na parte côncava e nas extremidades, devendo ser colocado nas mesmas posições utilizadas para se inserir um tampão: por exemplo, de cócoras ou apoiando-se uma perna sobre uma cadeira. Após a ejaculação, o diafragma deve ser mantido durante, no mínimo, 6 horas, mas nunca mais de 24 horas. Caso se efectuem vários coitos, antes de cada um deve-se proceder à colocação de espermicida no fundo da vagina com a ajuda de um aplicador.

Uma vez retirado, deve ser lavado com água e sabonete suave, deixando-o secar antes de o guardar numa caixa fechada e, caso se deseje, pode-se envolvê-lo com algodão para que se conserve melhor até à sua próxima utilização.

Vantagens e inconvenientes:
Em relação às vantagens, deve-se destacar que, se o diafragma for bem utilizado, constitui um método contraceptivo inofensivo que em nada altera o funcionamento do aparelho genital. Para além disso, caso seja associado a espermicidas, também proporciona uma certa protecção, embora menor do que a do preservativo, face às doenças sexualmente transmissíveis.

Entre os inconvenientes, deve-se ter em conta que necessita de prescrição médica e que a sua utilização deve ser ensinada por um médico que comprove a correcta colocação por parte da utilizadora. Para além disso, deve-se respeitar as normas de cuidado mencionadas após cada utilização. Por último, algumas mulheres não consideram conveniente terem de colocar o dispositivo antes do início da relação ou o facto de ter de o deixar colocado várias horas após o coito.

Eficácia:
Caso esteja associado a um espermicida, o diafragma tem uma taxa de insucesso anual de 5 a 10 por cento, embora as falhas sejam proporcionadas especialmente por uma má utilização. Caso seja utilizado correctamente, esta taxa de insucesso anual pode diminuir para 2 por cento.

Preservativo Masculino
O preservativo masculino consiste numa membrana cilíndrica de látex que deve ser colocada sobre o pénis em erecção, de modo a revesti-lo e a reter no seu interior o sémen emitido na ejaculação. Embora o mercado seja, actualmente, constituído por uma grande variedade de modelos de preservativos (de diferente espessura, com a superfície mais ou menos rugosa, alguns lubrificados para favorecer a sua colocação, etc.), em relação à sua forma existem dois tipos básicos: uns têm a extremidade plana e arredondada, enquanto outros são constituídos na ponta por uma protuberância para reter o sémen no seu interior após a ejaculação.

Método de utilização:
O preservativo apenas deve ser colocado quando o pénis estiver em erecção e antes de qualquer contacto do mesmo com os genitais femininos. Caso se deseje, pode-se aplicar um lubrificante hidrossolúvel ou um gel espermicida sobre a superfície do preservativo, embora se deva, por outro lado, evitar a utilização de vaselina, já que o material plástico pode deteriorar-se. Após a ejaculação, deve-se retirar do pénis antes que se perca a erecção, segurando o preservativo na base para se evitar que o sémen entre em contacto com a vagina.

Todos os preservativos utilizados devem ser inutilizados. Caso se deseje continuar a relação sexual, deve-se evitar o contacto genital até se alcançar uma nova erecção e colocar outro preservativo, com as mesmas precauções mencionadas.

Vantagens e inconvenientes:
Entre as vantagens da utilização do preservativo, deve-se destacar o facto de se tratar de um método simples, muito fácil de aprender a utilizar e que não necessita de controlo nem prescrição médica. Para além da sua função de contraceptivo, caso o preservativo seja bem utilizado, é muito útil para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, por isso, deve ser utilizado, sobretudo, para as relações sexuais esporádicas.

Como inconveniente, há quem opine que a sua utilização diminui a sensibilidade do pénis. Por outro lado, há quem não goste deste método devido ao facto de a colocação do preservativo provocar a interrupção da relação sexual, na altura em que o pénis alcança a erecção, embora este acto seja, para muitos casais, mais um componente do jogo sexual.

Eficácia:
A eficácia do preservativo depende da forma de utilização. Caso seja utilizado sozinho, calcula-se que a taxa de insucessos anuais é de 10 a 15 por cento, sobretudo devido à sua incorrecta utilização. O método é muito mais eficaz, caso seja associado à utilização de espermicidas, e se for bem utilizado a taxa de insucessos diminui para os 0 a 3 por cento. 

Preservativo Feminino
O preservativo feminino consiste numa espécie de bolsa cilíndrica de poliuretano que deve ser introduzida na vagina, de modo a reter no seu interior o sémen emitido na ejaculação. O dispositivo é constituído por um grande anel de plástico com a extremidade aberta, de modo a ser colocado à volta da vulva, e outro anel de tamanho mais reduzido e ligado à extremidade fechada do fundo, para que seja inserido à volta do colo do útero.

Método de utilização:
O preservativo feminino deve ser colocado de maneira semelhante a um tampão, devendo ser introduzido na vagina para que o anel pequeno fique à volta do colo do útero e o anel grande revista parcialmente a vulva. Pode-se aumentar a sua eficácia através da aplicação de um gel espermicida na sua superfície externa, que após a colocação do dispositivo ficará em contacto com a vagina e o colo do útero. Para se retirar o preservativo feminino, após a ejaculação, deve-se exercer tracção sobre o anel que reveste a vulva, verificando-se que não produz nenhum contacto do sémen retido no seu interior com os genitais femininos.

Vantagens, inconvenientes e eficácia:
As vantagens e inconvenientes do preservativo feminino são semelhantes ao do masculino, embora tenha a seu favor o facto de não ser necessário que o pénis esteja em erecção para ser colocado e contra, o facto de a sua forma de utilização ser um pouco mais incómodo. Embora a eficácia de ambos os métodos seja igualmente semelhante, a taxa de insucessos do preservativo feminino é ligeiramente superior devido a falhas de utilização. 

Espermicida
Os espermicidas são agentes químicos utilizados para desactivar os espermatozóides presentes na vagina antes que penetrem no útero. São comercializados sob várias formas farmacêuticas e com vários tipos de aplicação - geles ou cremes - e colocados com a ajuda de um aplicador presente na embalagem - aerossóis ou espumas - cuja embalagem é igualmente constituída por um aplicador, e óvulos vaginais, supositórios ou comprimidos de consistência sólida, que devem ser directamente introduzidos na vagina com um dedo, unindo-se no seu interior.

Método de utilização:
O produto espermicida, qualquer que seja a sua variedade, deve ser sempre colocado antes de cada coito, seguindo-se as instruções indicadas na embalagem. A colocação na vagina é simples, independentemente de ser com um dedo, em caso de comprimidos e supositórios vaginais, ou como acontece com os cremes e geles, com a ajuda de um aplicador semelhante a uma seringa. Devem ser colocados com uma certa antecedência do coito, variável em cada caso, pois embora os aerossóis, geles e cremes se distribuam rapidamente ao longo da vagina e apenas necessitem de alguns minutos de espera, os supositórios e os comprimidos levam entre 5 a 10 minutos para se derreterem e formarem uma película sobre o cérvix. Cada produto tem um período de tempo limitado, de meia hora a duas horas, tendo que se proceder a uma nova aplicação, caso o coito não seja efectuado dentro desse período de tempo.

Vantagens e inconvenientes:
Como vantagens, os espermicidas são simples de utilizar, embora seja extremamente importante seguir as instruções indicadas em cada caso na embalagem, não necessitando de prescrição ou vigilância médica. Para além disso, não têm efeitos secundários locais, nem gerais, embora algumas espumas produzam uma sensação de calor transitória.

Como inconvenientes, deve-se mencionar que devem ser aplicado antes de cada coito e que necessitam de um tempo de espera que não pode ser reduzido. Em alguns casos raros, provocam reacções alérgicas que impossibilitam a utilização do produto.

Eficácia:
Caso sejam utilizados isolados, os espermicidas têm uma taxa de insucesso anual de 10 a 15 por cento, sobretudo por incumprimento das normas de utilização. Por outro lado, caso estejam associados a outros métodos, têm uma eficácia muito mais elevada, já que combinados com o diafragma evidenciam uma taxa de insucesso anual de 5 a 10 por cento e, em associação com o preservativo, de 0 a 3 por cento. 

2. Métodos hormonais 

Anel Vaginal
A colocação deste dispositivo de material plástico no fundo da vagina, de maneira semipermanente, proporciona a libertação de substâncias hormonais, cuja absorção é feita pela mucosa vagina para a circulação sanguínea. Este processo origina um efeito contraceptivo durante um período que, de acordo com o tipo de anel, varia entre as 3 semanas e os 6 meses.

Nos modelos em que o anel liberta estrogénios e progestagénios em quantidades suficientes para inibir a ovulação, deve ser colocado na vagina durante 3 semanas consecutivas seguindo-se um intervalo de 7 dias, de modo a proporcionar uma hemorragia semelhante à menstruação.

A sua eficácia é semelhante às tradicionais pílulas contraceptivas combinadas. Os modelos de anéis vaginais que apenas libertam gestagénios em doses baixas podem ser utilizados ininterruptamente durante três a seis meses. O mecanismo de acção e a sua eficácia são, no mínimo, equivalentes às das minipílulas. 

Implante subcutâneo
Este sistema consiste na implantação de um pequeno bastonete que é inserido no braço sob a pele. Embora se trate de um procedimento simples efectuado sob anestesia local, realizado em pouco mais de 15 minutos, o implante deve ser colocado pelo médico. O implante contraceptivo existente no mercado é eficaz durante um período de 3 anos, sendo que após este período perde lentamente a sua eficácia, pelo que será necessário substituí-lo ou utilizar outro método. O implante liberta uma hormona que evita a ovulação e evita que o esperma alcance o útero. Está indicado para contracepção a longo prazo de mulheres saudáveis entre os 18 e 40 anos.

Efeitos secundários e eficácia:
Os efeitos secundários do implante subcutâneo são muito semelhantes aos provocados pelas minipílulas, nomeadamente irregularidades menstruais e, por vezes, perda de peso, dores nos seios e acne. Nos casos raros em que se produz uma infecção na zona do implante, deve-se proceder ao seu oportuno tratamento antibiótico, o que obriga, excepcionalmente, à extracção do implante.

A sua eficácia é elevada, superior a 99 por cento, proporcionando uma protecção contraceptiva que começa no dia seguinte à sua inserção e que se prolonga durante 3 anos. Após a extracção do implante, a mulher recupera imediatamente a sua fertilidade, podendo ficar grávida no primeiro ciclo menstrual. 

Injectáveis
Trata-se de um método contraceptivo que consiste numa injecção intramuscular profunda de uma solução aquosa contendo acetato de medroprogesterona (DMPA). A solução vai-se introduzindo lentamente na corrente sanguínea e, à semelhança da pílula, inibe a ovulação e age sobre a mucosa do útero, tornando as secreções do colo do útero mais espessas, constituindo assim uma barreira contra os espermatozóides. Cada injecção tem um efeito até 3 meses (12 semanas) e tem um elevado nível de eficácia (cerca de 99 por cento) 0,0 a 1,3 gravidezes por ano em cada 100 mulheres.

Vantagens e desvantagens:
É um método que não requer rotina diária logo evita esquecimento. Por outro lado, não interfere no prazer sexual, tem elevada eficácia e é de cómoda administração. Apesar de tudo, a principal desvantagem é que não previne contra as doenças sexualmente transmissíveis, mas também porque tem de ser aplicado/administrado por um especialista, leva ao ganho de peso e alterações no ciclo menstrual. 

Adesivo
O adesivo contraceptivo é um adesivo impregnado de hormonas semelhantes à da pílula e que são libertadas continuamente através da pele para a corrente sanguínea. Cada adesivo tem efeito durante 7 dias e ao fim da terceira semana é feito um período de descanso. O adesivo como método hormonal impede a ovulação e pode ser utilizado na parte de fora do braço, na parte superior do tronco (costas), no abdómen ou na nádega. Poder-se-á seleccionar um local diferente cada semana, mas seja qual for o local escolhido, o adesivo tem de permanecer nesse local durante 7 dias. Pode-se utilizar no mesmo local, todas as semanas. No entanto, deve evitar-se colocá-lo exactamente no mesmo ponto. O adesivo não deve ser aplicado em pele vermelha, irritada ou com cortes. Deve aplicar-se na pele limpa e seca, sem cremes, óleos ou loções. 

Orais
Esta é a principal forma de contracepção hormonal, utilizada por dezenas de milhões de mulheres em todo o mundo, corresponde à administração de compostos hormonais de diversa composição por via oral. Consoante a sua composição, é possível distinguir dois tipos fundamentais de contraceptivos orais: as pílulas combinadas, compostas por estrogénios e progestagénios (produtos sintéticos com acções semelhantes às da progesterona natural), e as minipílulas, apenas constituídas por gestagénios. 

Pílulas combinadas
Constituída pela combinação de dois derivados sintéticos do estrogénio e da progesterona. De acordo com o teor de cada um destes derivados, as pílulas combinadas podem ser classificadas em monofásicas ou multifásicas. As primeiras utilizam uma associação em doses baixas e fixas de estrogénio e progestagénio ao longo de todo o ciclo. Já as multifásicas: também chamadas de bifásicas e trifásicas, utilizam uma associação de estrogénio e progestagénio de baixa dosagem, das quais a dose deste último varia em duas ou três fases ao longo do ciclo, respectivamente. Foram desenvolvidas com o objectivo de reduzir os efeitos secundários dos contraceptivos orais, incluindo hemorragia durante o ciclo e amenorreia, associados a níveis elevados de hormonas.5

A pílula combinada é uma forma muito eficaz de controlo de nascimento. Quando as mulheres a tomam correctamente, menos de 1 em 100 vai engravidar durante o primeiro ano de uso, no entanto, quase 8 em 100 utilizadoras típicas (8 por cento) vão engravidar. Isto deve-se a uma toma incorrecta (falha de um ou mais comprimidos durante o ciclo) ou a uma má absorção do comprimido (devido a vómitos, por exemplo). Quando tomada correctamente, a eficácia da pílula combinada em prevenir gravidez é de 98 a 99 por cento. 

Minipílulas
Este tipo de pílula só contém um progestagénio sendo aconselhável a mulheres para as quais as pílulas contendo estrogénios são fortemente contra-indicadas e ainda em mulheres que estejam a amamentar, uma vez que o estrogénio reduz a produção de leite. Para funcionar de forma eficaz, devem ser tomadas à mesma hora a cada 24 horas, tolerando-se um intervalo de atraso de menos de 3 horas. A sua eficácia, no entanto, é de apenas 97 a 98 por cento podendo ainda originar ciclos menstruais irregulares 

3. Métodos intra-uterinos 

DIU
Apesar de, actualmente, existir uma grande variedade de modelos de DIU, confeccionados com vários materiais plásticos, de diferentes tamanhos e desenhos, os mais utilizados são os que têm a forma de 7 ou T, com barras transversais mais ou menos curvas, constituídas com um fino filamento de cobre enrolado na sua extremidade central

O dispositivo intra-uterino deve ser colocado pelo médico depois de efectuados todos os exames para eliminar a existência de contra-indicações - infecções genitais, tumores uterinos, etc. -, de ter medido a cavidade uterina e seleccionado o modelo mais adequado. Embora se possa colocar o dispositivo a qualquer momento, este deve ser inserido durante a menstruação, período ao longo do qual se sabe com certeza que não existe uma gravidez recente e quando a sua realização é facilitada pelo facto de o canal cervical (canal que permite a comunicação entre o interior do útero e a vagina) se encontrar mais dilatado.

Dado que todo este procedimento é bastante rápido e também praticamente indolor, não necessita da aplicação de anestesia. Nos dias seguintes à inserção, a mulher não deve manter relações sexuais, sendo preferível que utilize pensos higiénicos em vez de tampões. Por precaução, convém utilizar outro método contraceptivo até à primeira consulta, ao fim de um mês, uma vez que durante esse período a eficácia do DIU não oferece garantias suficientes.

Inconvenientes e complicações:
Apesar de a utilização do DIU normalmente não provocar grandes problemas, está intimamente ligada a menstruações mais abundantes e duradouras, até mesmo um pouco mais dolorosas do que as habituais. Um possível inconveniente é a predisposição para o desenvolvimento de infecções genitais, provocadas por microorganismos com maior facilidade para aceder ao interior do útero através da ligação estabelecida pelos fios que pendem para a vagina.

A complicação mais grave é a ruptura uterina, que ocorre se o dispositivo ficar preso na parede uterina ou até atravessá-la, alcançando a cavidade abdominal. Embora se trate de um problema perigoso, felizmente é muito raro caso o DIU seja colocado por profissionais.

Uma outra complicação não tão perigosa, mas que provoca a total perda de eficácia do método, é a expulsão do DIU, que acontece até cerca de 2 por cento dos casos, existindo situações em que é praticamente indolor e outras em que se produz durante a menstruação, passando totalmente despercebida.

O aparecimento de dores abdominais, mal-estar geral, febre e fluxo vaginal anómalo são sinais que a devem alertar para procurar o seu médico. 

4. Métodos cirúrgicos 

Laqueação de trompas
A esterilização feminina baseia-se na realização de uma intervenção cirúrgica ao longo da qual se bloqueia a continuidade das trompas de Falópio, os canais onde se produz a união entre os óvulos libertados pelos ovários e os espermatozóides provenientes do exterior, que sobem desde o útero. A operação denomina-se "laqueação das trompas", devido ao facto de se recorrer ao corte e laqueação destes canais. Deve-se referir que a operação não altera em nada o funcionamento dos ovários, nem do restante aparelho genital feminino, pois para além de não afectar as relações sexuais ou o desejo sexual, também não modifica o ciclo menstrual normal.

Resultados e eficácia:
A intervenção provoca uma imediata e permanente esterilidade, tendo uma taxa de eficácia teórica de 100 por cento, ainda que raramente se produzam insucessos devido a uma técnica cirúrgica deficiente ou devido a uma fusão espontânea de alguma trompa. 

Vasectomia
A esterilização masculina realiza-se através de uma simples intervenção cirúrgica, denominada vasectomia, baseada no corte dos canais deferentes que impede a passagem dos espermatozóides. É feita uma pequena incisão cirúrgica em cada um dos lados do escroto, é removida uma porção de cada tubo (cerca de 1 cm), após o que as extremidades são fechadas.

O procedimento é simples, com recurso a anestesia local, pelo que o homem regressa a casa no próprio dia.

A esterilização é garantida praticamente a 100 por cento, mas são precisos, em média, 3 meses para"limpar" os canais de todos os espermatozóides neles existentes, o que corresponde a umas 15 a 20 ejaculações. Por isso, até lá é aconselhável o uso de um método contraceptivo, até que seja feita a confirmação de azoospermia (sémen sem espermatozóides) num espermograma de controlo.

Apesar de simples existem alguns riscos de reacção inflamatória ligeira. É, portanto, necessário estar vigilante e contactar o médico se houver febre, dificuldade em urinar, hemorragia no local da incisão, se for detectado algum nódulo no escroto (a bolsa que envolve os testículos) ou se o inchaço próprio de uma cirurgia não desaparecer ou se agravar. Um risco, ainda que raro, prende-se com a possibilidade de as extremidades dos canais deferentes se voltarem a unir. Se acontecer, o homem pode engravidar uma mulher. Fora esta excepção, após uma vasectomia os espermatozóides deixam de poder passar pelos canais deferentes e de ser expelidos com o sémen, pelo que os testículos começam a produzir menos e mesmo essa quantidade é absorvida pelo organismo.

É uma forma de contracepção definitiva, radical que inviabiliza a reprodução, mas não interfere com a vida sexual: o homem continua a manter erecções e a ejacular, não sendo igualmente afectado na libido. 

5. Métodos naturais/comportamentais 

Método do calendário (método de Ogino-Knaus)
É um método que consiste em anotar durante mais ou menos 1 ano a duração dos ciclos menstruais. Uma vez feita esta contagem, tem de se subtrair ao ciclo mais curto 18 dias e ao ciclo mais longo 11 dias. A partir do momento em que estes resultados estão encontrados, o intervalo entre ambos, do menor para o maior, indica o espaço de tempo no qual a mulher se encontra no período mais fértil dos seus ciclos, onde ocorre a ovulação e é mais provável que aconteça uma gravidez.

Por exemplo, imaginemos que uma mulher contabilizou o seu ciclo mais curto com 26 dias e o seu ciclo mais longo com 30 dias. Então: 26 – 18 = 8 e 30 – 11 = 19. Quer isto dizer que os dias mais férteis desta mulher são entre o 8º e o 19º dia do ciclo, dias em que não deve ter relações sexuais ou, querendo-o, terá de utilizar um preservativo. Convém não esquecer que o primeiro dia do ciclo é o primeiro dia em que aparece a menstruação.

Dito de outra forma: ao monitorizar os dias de fertilidade saberá determinar as fases inférteis do ciclo menstrual. É um tipo de método contraceptivo, mas pode ser utilizada também para se facilitar a obtenção da gravidez, fazendo-se uso adequado das fases férteis.

A monitorização da fertilidade é sempre usada para identificar a fase ou período fértil da mulher, seja para obter a gravidez, seja para evitá-la ou ainda uma maneira monitorar a saúde ginecológica. Por isto há quem considere esta monitorização como não sendo propriamente um "método contraceptivo" já que pode igualmente ser utilizada para facilitar a obtenção da gravidez principalmente por casais que têm problemas para engravidar. Neste último caso seria um método conceptivo ou método concepcional, no sentido afirmativo da expressão. O método contraceptivo propriamente seria a abstinência sexual periódica que se faria valendo-se da monitorização.

Método da temperatura basal
A observação da temperatura permite à mulher reconhecer com certeza o período infértil pós-ovulatório. A mulher deve medir a temperatura sempre em situações semelhantes: de manhã ao acordar, sensivelmente à mesma hora, antes de se levantar, com o mesmo termómetro e da mesma maneira (anal, vaginal ou bucal, debaixo da língua), durante 3 minutos, no mínimo, no caso de termómetros de mercúrio. Se, por algum motivo, algum dia não se mediu então também não se anota no gráfico nem se une os pontos, deixando em branco esse dia.

A temperatura nos dias entre a ovulação e a menstruação seguinte sobe cerca de 2 a 5 décimos de grau. Então, só três dias depois desta subida de temperatura ter acontecido, é que é menor o risco da mulher engravidar. No entanto há uma situação importante, que são as variações de temperatura que o seu corpo pode ter, como por exemplo, no caso de febre ou de alterar a sua hora de dormir.

Para usar estes métodos como contracepção tem de conhecer bem o funcionamento do próprio corpo e estes métodos não protegem das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). 

Método de muco cervical (método de Billings)
A base do Método de Billings é a percepção do muco produzido pela cérvix. Esta observação é feita ao longo do dia e permite à mulher estar atenta a três coisas:

  1. Presença ou ausência: por observação ao nível da vulva ela pode ver ou não muco. É aconselhável observar-se 3 vezes por dia (de manhã, ao meio-dia e à noite), sobretudo quando se pretende escolher o sexo do bebé.
  2. A sensação: descida espontânea que a mulher sente ao nível da vulva e da vagina. Sente o muco a escorrer na vagina sem o ver: é uma sensação de humidade.
  3. O aspecto do muco: durante a sua presença ele vai assumindo vários aspectos, que indicam à mulher se é muco do tipo fértil ou infértil.
a) Pré-Ovulação: Muco do Tipo Infértil ("Farinha")
O muco usualmente visível é espesso e em pequena quantidade. Pode produzir uma sensação de viscosidade (ou de "pegajoso") e pode continuar dia após dia sem alteração. Este tipo de muco, ácido, aparece normalmente após a menstruação e no período pós-ovulatório. Devido às suas características ele não permite a chegada dos espermatozóides junto do óvulo, impedindo portanto, a fecundação deste. 

b) Período ovulatório: Muco do Tipo Fértil
Muco grosso: A primeira indicação da mudança para o período ovulatório (momento de fertilidade da mulher) é a passagem do muco tipo pegajoso ("farinha") para o tipo grosso. Este muco é comparado a grumos de gelatina que se prende aos dedos, escorregadio mas sem fazer fio entre os dedos. Pode ser já um pouco transparente, embora tenha uma tonalidade branca (ver figura e vídeo).

Muco filante: Este muco é muitas vezes comparado a fios de clara de ovo cru, liso e escorregadio. Este muco aparecerá sempre como húmido e escorregadio, devido à sua própria estrutura e composição química (ver figura e vídeo). O último dia em que o muco se apresenta com características férteis (Muco Filante), isto é, o último dia em que ele aparece mais filamentoso e distensível, é o dia mais fértil do ciclo, ou seja, o dia da ovulação. Seria neste dia que de uma união conjugal esperaríamos, com maior probabilidade, um bebé do sexo masculino. 

c) Pós-ovulação: Muco do Tipo Infértil ("Farinha")
Após a ovulação as características do interior da vagina alteram-se. Embora a consistência do muco encontrado possa ser ainda um pouco líquida, uma vez que antes esteve filante, agora passa a engrossar, tornando-se branco, espesso, consistente e pegajoso. 

Método sinto-térmico
O Método Sinto-Térmico combina vários elementos do Método da Temperatura Basal do corpo da mulher e do Método da Ovulação (Billings). Isto é, tanto a temperatura como o muco cervical são usados para entender o estado de fertilidade. Outros indicadores fisiológicos, como por exemplo, a dor, tensão dos seios e as variações do colo do útero, são também levados em conta na identificação dos períodos férteis e inférteis. 

Coito interrompido
O coito interrompido é um método contraceptivo, de baixa fiabilidade, no qual, durante a relação sexual, o pénis é removido da vagina imediatamente antes da ejaculação, impedindo a deposição de sémen no interior da vagina. Este método tem sido amplamente utilizado mas as taxas de falha são muito elevadas, principalmente devido à falta do auto-controle de quem o utiliza.

Para além disso, não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis e a interrupção da relação sexual pode deixar os parceiros insatisfeitos. 

6. Contracepção de emergência
A contracepção de emergência tem por finalidade impedir a ovulação ou prevenir a implantação se a relação sexual ocorreu nas horas ou dias que antecederam a ovulação. Ou seja, num momento em que existe maior probabilidade de ocorrer a fertilização. Também pode prevenir a implantação. Torna-se ineficaz logo que se inicia o processo de implantação do ovo. Este método não interrompe uma gravidez que já se tenha iniciado, por isso deve ser utilizado até 72 horas após uma relação sexual não protegida ou em caso de falha de um método contraceptivo, como o rompimento do preservativo; esquecimento da pílula contraceptiva oral para além do prazo máximo admitido após a última toma; expulsão do DIU; remoção antecipada ou deslocamento de um diafragma vaginal; relação sexual durante o período supostamente fértil quando se optou pelo método da abstinência periódica (método das temperaturas) ou em caso de violação.

Fonte: 
Ministério da Saúde
Associação Para o Planeamento da Família
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Foto: 
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