Estudo

Lisboa tem 1.400 toxicodependentes identificados, mas podem haver mais

Um diagnóstico pedido pela Câmara Municipal de Lisboa identificou 1.400 consumidores de droga na capital “em maior risco”, mas alerta para a existência de mais toxicodependentes que não tenham contacto com as equipas que elaboraram o estudo.

A Câmara Municipal de Lisboa apresenta hoje as conclusões dos “diagnósticos sobre consumos de substâncias psicoativas na cidade de Lisboa e respostas a implementar”, feitos pela Associação Crescer, Associação Ares do Pinhal, o Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT) e os Médicos do Mundo.

Em declarações, o vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa, Ricardo Robles (BE), explicou que o diagnóstico incluiu uma consulta às “Juntas de Freguesia, forças de segurança, moradores e parceiros que fazem trabalho nesta área”.

De acordo com um resumo ao qual a agência Lusa teve acesso, o diagnóstico permitiu estimar a existência de “1.400 consumidores em maior risco, identificados pelas equipas”, mas “existe um número indeterminado de consumidores que neste momento não têm contacto com equipas”.

De acordo com o diagnóstico levado a cabo, esta população é “envelhecida, a larga maioria com idade superior a 40 anos, e que apresenta do ponto de vista social um perfil de pobreza e exclusão social”, sendo que são pessoas “em situação de habitação precária (sem-abrigo, em instituição de acolhimento, casa abandonada ou sem condições)”.

Ricardo Robles salientou que este é um número que “preocupa muito” o município e que estas pessoas são aquelas “em quem é preciso concentrar uma resposta deste tipo, um programa de consumo vigiado”.

Quanto ao padrão de consumo, as equipas verificaram “que a maioria são consumidores diários ou regulares, sendo ainda significativa a percentagem dos que referem partilhar material de consumo, o que possivelmente também está relacionado com as condições e contextos em que esse consumo é realizado”.

“É de salientar que a maioria refere consumir em espaço público e sem condições de higiene e segurança: na rua, casas de banho públicas, descampados, prédios abandonados”, elenca o resumo ao qual a Lusa teve acesso, acrescentando que “do ponto de vista da saúde, é uma população que apresenta elevadas prevalências para hepatite C, VIH e hepatite B, e baixos índices de tratamento destas infeções”.

Os responsáveis pelo estudo identificaram ainda “uma significativa prevalência de outras complicações associadas ao consumo injetado - infeções bacterianas e danos nas veias”.

Perante isto, a Câmara de Lisboa vai implementar um programa de consumo vigiado nas salas de consumo assistido que irão abrir “no final do ano, início do próximo” na Avenida de Ceuta e Lumiar, para além das unidades móveis destinadas à zona central e oriental da cidade.

O estudo aponta então que estas unidades deverão “priorizar aqueles que se encontram em maior risco, tanto do ponto de vista da saúde como social”.

O documento aponta também que se espera “uma melhoria do estado de saúde deste grupo e também, de forma indireta, de outros utilizadores que, não frequentando o programa, beneficiam se houver, por exemplo, uma redução da infeção por VIH e hepatites virais entre as pessoas que usam drogas”.

Fonte: 
LUSA
Nota: 
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Foto: 
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