Cuidar em casa

A importância dos cuidados domiciliários

O aumento da esperança média de vida, a par do decréscimo da população jovem, a que se tem assistido nos últimos anos, tem levado a um aumento dos custos na saúde, sobretudo, no que diz respeito aos internamentos. Os cuidados domiciliários, para além de assegurarem a qualidade dos tratamentos e ajudarem a reduzir a despesa, trazem conforto e bem-estar a quem deles necessita.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a população portuguesa está a envelhecer. Os dados mostram que, por exemplo, o grupo de portugueses com mais de 65 anos constitui 16,4 por cento da população do continente, atingindo 20 por cento nos grandes centros urbanos, com um elevado índice de dependência face à população em idade produtiva.

Estima-se ainda que, em 2050, esta franja populacional atinja os 32 por cento da população total, numa relação de três idosos para cada jovem.

Este envelhecimento, associado ao aumento das doenças crónicas e incapacitantes, têm vindo a conduzir a um maior número de situações de dependência funcional da população idosa.

“Temos mais idosos e cada vez mais dependentes, o que conduz, inevitavelmente, a um aumento dos custos na saúde”, começa por explicar João Rombo, enfermeiro.

“Os internamentos são caros e, muitas vezes, a vida profissional dos familiares não lhes permite acompanhar os doentes idosos como seria desejável”, acrescenta.

“Para além de contribuir para a redução das despesas nos hospitais, o acompanhamento domiciliário traz múltiplos benefícios ao doente. Na verdade, os idosos sentem-se melhor em casa e a sua recuperação é francamente melhor”, afirma o diretor-geral da IberSaúde.

João Rombo explica que este apoio se pode traduzir num conjunto de cuidados fornecidos por profissionais de saúde em casa, de modo a dar resposta a necessidades individuais.

“Estas necessidades podem ser desde reabilitação, apoio de Enfermagem em procedimentos técnicos ou acompanhamento, apoio nos serviços domésticos e necessidades básicas, como os cuidados oferecidos pelos cuidadores informais”, refere.

De acordo com o enfermeiro, estes cuidados “têm por finalidade promover, manter ou recuperar a saúde, maximizando o nível de independência ou minimizando os efeitos da deficiência ou doença, bem como fornecer apoio social ao indivíduo e sua família”.

E foi por perceber que existiam algumas carências na assistência à população idosa, “habitualmente mais dependente”, que nasceu a IberCare.

 “Não queríamos ser mais uma empresa para idosos. Queríamos marcar pela diferença e por isso atuamos em diversas áreas”, comenta João Rombo.

Apesar de, maioritariamente, dedicar-se aos cuidados a idosos, preocupa-se ainda com a formação dos cuidadores. “O facto dos cuidadores, sejam eles familiares ou não, terem formação é extremamente importante”, afirma.

Dados da Entidade Reguladora da Saúde demonstram, aliás, que Portugal tem a maior taxa de cuidados continuados e paliativos, prestados por pessoas sem preparação ou qualificação, bem com uma das mais baixas taxas de cobertura de cuidados prestados por profissionais, em toda a Europa.

O acompanhamento domiciliário pode ser feito 24 horas por dia em casa do paciente, contando para isso com algumas parcerias.

Segundo João Rombo, é possivel recorrer a consultas de nutrição, cardiologia ou pediatria sem sair de casa.

“Para além dos cuidados a idosos, existem também os cursos pré e pós parto, por exemplo. E se um bebé estiver constipado, a precisar de tratamento com aspiração, nós vamos a casa”, explica mostrando que a rede de cuidados prestados pode, e deve, ser muito vasta.

Helena Ferreira, de 81 anos, não esquece o carinho com quem foi tratada e guarda no coração a equipa de enfermeiros que, durante meses, se deslocou a sua casa.

“Quando falo neles até fico emocionada... eram de um cuidado excepcional”, recorda. “Se tinha dores bastava ligar-lhes que eles vinham logo a casa cuidar de mim”, afirma lamentando a quantidade de idosos que são “abandonados” pelas próprias famílias. “Eu sabia que podia contar com eles...”, acrescenta.

Helena conta que teve “um problema numa perna”. “Foi uma coisa muito estranha. Eu tinha ido ao cemitério e a passar entre campas, desequilibrei-me. Para não cair fiz tanta força na perna que rebentei uma veia. Senti uma dor tão forte que pensei que ia morrer”, tenta explicar.

Helena foi acompanhada ao domicílio por uma equipa de enfermeiros que cuidou de si durante três meses.

“A dona Helena foi a uma consulta com um cirurgião plástico que reencaminhou para nós o tratamento necessário para viabilidade da cirurgia”, explica João Rombo.

“Tinha um hematoma no gémeo e uma ferida com tecido desvitalizado. Era uma ferida muito exsudativa e era necessário proceder à sua limpeza para favorecer a cicatrização”, acrescenta.

“Nós recorremos à vacuoterapia para remover o exsudado e ao fim de um mês e meio foi feito um enxerto”, explica.

Helena recorda que sentiu, de imediato, que estava em boas mãos. “Os enfermeiros são de um cuidado excepcional. Conversam e preocupam-se muito connosco e isso também faz parte do tratamento. Pelo menos, eu acho que sim...”, diz admitindo que gosta desta proximidade. “Eu acho que é importante, sobretudo, para os mais idosos que muitas vezes são abandonados...”, explica mostrando que este é um dos aspetos mais importantes dos cuidados domiciliários. 

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
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