Hipertensão Arterial

Hipertensos com elevado risco cardiovascular

Estima-se que em Portugal existam cerca de dois milhões de hipertensos. Metade não sabe que tem a doença e dos que sabem apenas uma parte faz a terapêutica adequada. No Dia Mundial da Hipertensão, o Professor Victor Gil avança alguns dados sobre a doença e reforça a importância do seu tratamento.

A Hipertensão Arterial é um dos principais factores de risco para situações como o Acidente Vascular Cerebral (responsável por 60% dos casos), o Enfarte do Miocárdio, a Insuficiência Cardíaca e a Insuficiência Renal, bem como para patologia da Aorta que inclui o Aneurisma.

Apesar do enorme progresso na compreensão pública do problema e dos extraordinários avanços na terapêutica, o número de doentes tratados em que se consegue obter um adequado controlo, de acordo com as recomendações das organizações científicas, é diminuto.

Em Portugal, apenas um terço dos doentes tratados (os quais correspondem a cerca de metade dos casos conhecidos) se encontrava controlada, no conhecido estudo publicado pelo Prof. Mário Espiga de Macedo e desse e de outros estudos, calcula-se que entre nós existam  dois milhões de hipertensos, dos quais apenas metade terá sido diagnosticado, 500 mil fazem terapêutica e 250 mil estarão controlados. Todavia, o tratamento da hipertensão conduz a uma redução real do risco cardiovascular, por exemplo calculando-se que em hipertensos com risco cardiovascular elevado, a incidência de AVC se reduza em 20 a 30% para cada 1-3 mmHg de descida do valor tensional.

Em muitos casos, a obtenção de valores tensionais nos níveis recomendados é difícil e exige uma avaliação atenta dos doentes para excluir causas de pseudo-refractoriedade à terapêutica (hipertensão da bata-branca ou sobrecarga de volume por exemplo) ou casos mais raros de hipertensão secundária.

No entanto, excluídas essas situações, calcula-se a partir da experiência de ensaios clínicos, que em 20-35% dos casos não seja possível obter um adequado controlo tensional, apesar de medicação anti-hipertensiva com três ou mais fármacos. Estes casos de Hipertensão Refractária (HTR) podem ir de cerca de 5% no ambulatório de clínica geral até mais de 50% na clínica de nefrologia.

Apesar de não existirem números com suficiente poder para se saber com precisão o pronóstico da HTR, é muito clara relação entre os valores tensionais e o risco, a partir de vários estudos clínicos e epidemiológicos.

A hipertensão refractária ou de difícil controlo exige seguimento por especialistas com programas de acompanhamento individualizados, tendo sido propostos tratamentos farmacológicos e não farmacológicos.

 

Prof. Doutor Victor M. Gil - Cardiologista Coord. Unidade Cardiovascular Hospital Lusíadas Lisboa
Nota: 
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