Oscilações de peso entre as causas

Estrias: descubra os tratamentos mais frequentes

As indesejáveis estrias aparecem após a gravidez ou imediatamente a seguir a uma significativa perda de peso. A especialista em cirurgia plástica reconstrutiva e estética, Ana Silva Guerra, explica como se tratam.

As estrias caracterizam-se por uma lesão irreversível da pele. “São quase como cicatrizes que se vão tornando mais complexas e resistentes aos tratamentos à medida que o tempo passa”, começa por referir Ana Silva Guerra, especialista em cirurgia plástica reconstrutiva e estética.  

As estrias podem surgir em ambos os sexos, em qualquer idade e em qualquer zona do corpo e ser altamente comprometedoras, sobretudo, se forem bastante extensas e disseminadas.

Elas podem surgir no contexto de determinadas patologias (como doenças hormonais), após certos medicamentos (“corticoesteroides são os mais frequentes”), ou nas situações em que a pele é obrigada a um grande «esforço» de dilatação, tal como acontece durante a gravidez, ou em consequência de oscilações de peso.

De acordo com a especialista, o tratamento das estrias é bastante complexo. “Nas estrias avermelhadas recentes consegue-se obter boas melhorias mas quanto mais tempo passa, mais “definitiva” se torna a cicatriz (uma estria é, no fundo, uma cicatriz da derme e epiderme) e portanto a sua correção é impossivel”, refere.

A escolha dos tratamentos para tratar as estrias são, por isso, adaptados a cada caso tendo em vista os melhores resultados possíveis. Entre os mais frequentes estão:

Peeling – De acordo com a especialista, o peeling  “vai provocar uma reação inflamatória e cicatricial que permite renoava de forma mais ou menos profunda uma ou mais camadas de pele” Este processo conduzirá à produção de mais colagénio ao estimular a atividade dos fibroblastos, contribuindo, acima de tudo, para reafirmar a área tratada, diminuindo o espaço entre os limites das estrias.

São necessários vários tratamentos, com intervalos mínimos de três semanas, uma vez que “os resultados são cumulativos”. 

Laser – O laser é um tratamento não invasivo que atua quer na fase “jovem” das estrias – enquanto estão avermelhadas – tendo como alvo um pigmento do sangue, quer na fase “madura” estimulando a produção de colagénio e elastina.

Com este tratamento é possível melhorar dignificativamente a aparênciadas estrias, no entanto, fique a saber que “as estrias avermelhadas são as que melhor respondem ao tratamento”. 

Fatores de crescimento plasmático – As plaquetas são um importante reservatório de fatores de crescimento do corpo e interferem em inúmeros processos, tais como a coagulação, a resposta imune ou a cicatrização.

Dentro dos grânulos das plaquetas podem-se encontrar diferentes fatores de crescimento.

“Atualmente, é possível obter concentrações significativas desses fatores sob a forma de uma solução que pode ser usada em diferentes contextos clínicos. O «PRP», ou platelet rich plasma, é um concentrado plaquetário autologo (isto é, do próprio) num pequeno volume de plasma. A eficácia clínica deste preparado depende essencialmente do número de plaquetas e da concentração dos seus fatores de crescimento”, explica a especialista.

Estas pequenas moléculas atuam em diferentes processos na regeneração dos tecidos podendo ter diferentes “aplicações”. São utilizadas, nomeadamente, no tratamento de feridas crónicas.

“Pelo seu potencial reparador e regenerador são uma «arma» terapêutica eficaz no processo de envelhecimento”, afima Ana Silva Guerra.

Microdermoabrasão – De acordo com a especialista, a microdermoabrasão trata-se de um tratamento de superfície, não invasivo “que submete a pele a uma pressão negativa através de um sistema de microagulhas ou microcristais, que causam esfoliação”. Este impacto mecânico “obriga” a pele a regenerar, promovendo a renovação celular e estimulando a atividade fibroblástica e a produção de colagénio.

“A sua intervenção nas estrias resulta desse estímulo reafirmante e regenerador, melhorando a aparência das estrias. Os resultados são cumulativos e requerem tratamentos seriados com intervalos de três semanas”, explica a especialista.

“Através da combinação das várias técnicas é possível obter melhorias em casos selecionados”, acrescenta Ana Silva Guerra reforçando que até à data, não existe nenhum tratamento que elimine definitivamente as estrias.

 

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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