Cuidados

Epilepsia e a prática desportiva

Atualizado: 
07/08/2019 - 12:11
A epilepsia é uma das doenças neurológicas mais comuns em Portugal. Estima-se que entre 40 a 70 mil pessoas sofram da doença. Apesar do doente epilético poder levar uma vida dita normal deve, no entanto, evitar a prática de alguns desportos. Mergulho e hipismo são desaconselhados.
Dois homens a jogar basket

Caracterizada por uma descarga anormal de alguns ou de todos os neurónios cerebrais, a epilepsia expressa-se através de crises epiléticas recorrentes (duas ou mais), súbitas e imprevisíveis. O doente não as consegue controlar e estas podem variar entre alguns segundos ou vários minutos.

Em todo o mundo esta doença afeta 50 milhões de pessoas e é considerada a segunda causa de doença crónica em idade pediátrica.

Em 60% dos casos não é possível determinar a causa da doença. Quando tal acontece, ela é designada de idiopática ou primária.

Olhar fixo sem resposta à estimulação, perda súbita de força muscular com queda, revulsão ocular, perda de consciência são alguns dos sinais de uma crise epilética.

Embora existam vários tipos de crise, a maioria não tem fatores desencadeantes identificáveis. No entanto, algumas situações podem aumentar o risco de crise. Privação de sono, consumo de álcool, sons bruscos, febre ou infeções podem potenciar estas crises.

O tratamento da doença faz-se com recurso a fármacos específicos, muito embora, por vezes, seja necessário recorrer a várias tentativas para encontrar o adequado para o controlo das crises.

Apesar de ser uma doença crónica, há estudos que demonstram que entre 70 a 80% dos doentes tratados têm remissões prolongadas ou permanentes.

Especialistas advertem, no entanto, para não parar a medicação mesmo que já não existam crises. É que a paragem brusca da medicação antiepilética pode aumentar ou agravar as crises e sua frequência. Deste modo, deve ser sempre o médico a tomar esta decisão, que deve acontecer de forma gradual.

Apesar do doente epilético poder levar uma vida perfeitamente normal, há que ter particular cuidado durante a prática de exercício físico. Há, aliás, alguns desportos desaconselhados, embora, de uma forma geral, a prática desportiva traga vários benefícios a estes doentes.  

Para além dos benefícios físicos que contribuem para uma redução da frequência das crises epiléticas, também há benefícios psicológicos tão ou mais importantes. Maior autoestima, convívio social, noção de trabalho de equipa, controlo sobre a doença, redução da ansiedade ou depressão e regularização do sono são alguns exemplos.

No entanto, alguns desportos são desaconselhados. Outros devem ser praticados com algum cuidado.

Está comprovado, por exemplo, que a epilepsia é um fator de risco para os afogamentos. Sabe-se que a maioria dos acidentes fatais em epiléticos ocorre dentro de água, mais em atividades recreativas do que desportivas. Um estudo americano demonstrou que esta doença fazia parte da história de 7,5% dos indivíduos, entre jovens menores de 20 anos.

Visto a natação ser uma atividade popular entre a população, de uma forma geral, torna-se imperativo que sejam tomadas algumas medidas de segurança, como o uso de equipamento de segurança e supervisão adequada, sobretudo junto de crianças.

Os desportos de contato, como é o caso do futebol, basquetebol, voleibol ou hóquei, são geralmente seguros. No entanto, deve ter-se particular cuidado para evitar traumatismos.

Os desportos motorizados, por outro lado, devem ser evitados. Alpinismo, hipismo, para-quedismo ou mergulho são contraindicados.

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Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
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