Prática permite o alívio dos sintomas em caso de doença crónica

Como o Yôga mudou a minha vida

Uma prática milenar que promove a saúde e o bem-estar, o yôga é responsável por inúmeros benefícios que vão desde a prevenção ao alívio da dor ou à gestão do stress e ansiedade. Lara e Inês contam como esta prática mudou as suas vidas.

“Quando se tem uma doença crónica há momentos muito negros, e o yôga deu-me as ferramentas para ultrapassar esses momentos, através da meditação, do controlo da respiração e do pensamento positivo”, começa por explicar Lara Venade que convive com duas doenças crónicas: Crohn e Fibromialgia.

“Fui diagnosticada aos 15 anos com Crohn e aos 35 com Fibromialgia…”, conta assegurando que teve de lidar, desde cedo, com algumas limitações. Ou não fossem estas duas patologias que condicionam (e muito!) o dia-a-dia dos doentes. “Por muito que tente contorná-las, tive que me adaptar e mudar várias coisas em mim e no meu dia-a-dia”, afiança Lara que, desde sempre, pode contar com o apoio condicional da sua família. “A nível pessoal, felizmente, tenho o apoio da minha família a 200%, o meu marido está sempre ao meu lado e adaptou a vida dele à minha”, revela acrescentando que foi a nível social que teve de fazer as principais alterações.

“Os sintomas da fibromialgia impedem-me, muitas vezes, de sair com os amigos ou obrigam-me a voltar mais cedo para casa. Tive que aprender a aceitar isso e perceber que, por mais que queira estar com os outros, o meu bem-estar físico é mais importante”, admite.

O primeiro contato com o yôga chega depois deste último diagnóstico, por recomendação da reumatologista que a aconselhou a prática de atividade física. “A nível físico ajuda os meus músculos a não ficarem tão tensos e as articulações menos rígidas. Permite-me relaxar o corpo e, claro, a mente melhorando a minha concentração, assim como aliviar as dores e ansiedade que me causam”, explica quanto aos principais benefícios desta prática.

A verdade é que além da dor generalizada, a Fibriomialgia é responsável ainda por outros sintomas como fadiga, distúrbios do sono, desconforto gastrointestinal, ansiedade e depressão.

De acordo com os especialistas, exercícios físicos mais tranquilos, como os que se praticam no yôga, podem ser fundamentais para aliviar os sintomas da doença, uma vez permitem conectar o corpo e a mente em uma única atividade, melhorando a condição física, ativando a circulação da energia e atuando diretamente sobre o equilíbrio mental.

Ao trabalhar diariamente posturas, respirações, meditações e o relaxamento profundo, o doente com fibromialgia experiencia um enorme bem-estar, aumentando gradualmente a sua qualidade de vida. Algo que Lara também pôde comprovar.

“Quando iniciei a prática, uma das primeiras coisas que aprendi foi que o yôga, quando praticado com regularidade, vai entrando na nossa vida de uma forma muito subtil. No espaço de seis meses vi que estava a transformar a minha vida. Além da prática física, existe a meditação e muitos valores positivos que se vão tornando parte de nós”, revela acrescentando que é a isto que os praticantes chamam de “yôga fora do tapete”.

Com a prática, para além do alívio dos sintomas próprios da doença, Lara aprendeu a relativizar muito do que acontecia na sua vida. E hoje, garante, consegue viver o presente, aproveitando cada instante.

“O yôga veio ajudar-me a aceitar a doença, a combatê-la, a viver a vida sem pressas. Hoje sei aproveitar cada detalhe, cada pormenor. Seja ele um cheiro, um sabor, uma música ou o silêncio”, revela admitindo que esta prática lhe trouxe a maior bênção de todas: a gratidão. Lara é grata por tudo o que vive e, mesmo com o diagnóstico de duas doenças condicionantes, é feliz.

“O yôga é uma prática excelente para a nossa saúde física e mental. Mas também para o nosso espírito, alma, energia, existência, essência, ser, o que lhe queiram chamar. Todas as designações são válidas porque a finalidade é a positividade e a promoção de uma vida saudável”, afirma.

«Não adianta ter pressa. O yôga também nos ensina isso»

Inês Peres esteve durante mais de um ano sem conseguir mover o pescoço, na sequência de um acidente de automóvel que lhe provocou várias lesões ao nível da coluna. “Foi um período muito difícil… Para além da falta de mobilidade, tinha dores terríveis nas costas, nas ancas e dores de cabeça insuportáveis”, recorda a jovem de 33 anos.

Como parte do tratamento, Inês fez fisioterapia, massagens terapêuticas que, apesar de conseguirem aliviar a pressão na sua coluna não resolveram o problema das cefaleias.

“Eu não conseguia dormir. Não havia comprimido que tomasse que me ajudasse a suportar aquelas dores…”revela.

Por indicação do especialista em medicina de reabilitação, iniciou-se na prática do yôga. “Desconfiada, é verdade”, decidiu que não tinha nada a perder.

“Vamos ouvindo falar, aqui e ali, dos benefícios do yôga, mas a verdade é que só depois de experimentar e sentir o que esta prática pode fazer por nós, é que acreditamos!”, afirma Inês que sempre fora muito cética quanto ao que lhe parecia ser um conceito alternativo.

“Eu sempre pratiquei desporto e via o yôga quase como uma prática alternativa, sem que entendesse muito bem para o que servia. Confesso que, antes, eu não entendia como o yôga poderia ter assim tantos benefícios para o nosso corpo físico e mental”, comenta.

Hoje está completamente rendida às evidências. “Não só, foi possível recuperar os movimentos com yôga, como as dores de cabeça desapareceram. Foi preciso tempo, mas aprendi que não adianta tem pressa. Nada na nossa vida se resolve à pressa. O yôga também nos ensina isso”, afirma deixando entender que hoje existe uma nova Inês. Uma Inês que se reinventou com a prática do yôga.

“Já lá vão quase quatro anos, e posso dizer que o yôga mudou mesmo a minha vida”, garante reforçando o poder transformador desta prática milenar. “Não é só uma transformação física. É verdade, sim, que o yôga pode auxiliar no tratamento de várias doenças, mas também tem a extraordinária capacidade mudar a formar como pensamos. Hoje, sem dúvida, existe uma Inês mais calma, que saber apreciar a vida tal como ela é”.

Entre muitos outros benefícios, o Yôga previne dores nas articulações, melhora a circulação sanguínea, aumenta a imunidade, atua sobre a pressão arterial, melhora a qualidade do sono e contribui para a prevenção da depressão e controlo da ansiedade.

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
ShutterStock