Tudo o que deve saber sobre Contraceção de Emergência

17% das mulheres admite ter usado a pílula do dia seguinte

Um estudo sobre práticas contracetivas da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa de Contraceção revela que 88% das mulheres sexualmente ativas conhece a pílula do dia seguinte e 17% admite já a ter utilizado. No entanto, ainda persistem vários mitos no que diz respeito a este método contracetivo. No âmbito do Dia Internacional da Mulher, conversámos com o especialista em ginecologia e obstetrícia, Joaquim Neves, que nos explicou tudo o que deve saber sobre a Contraceção de Emergência.

Dados recentes mostram que a pílula continua a ser o método contracetivo mais utilizado. No entanto, cerca de 20% das mulheres admite que não a usa de modo correto, saltando uma toma ou outra em quase todos os ciclos, pondo em risco a sua eficácia.

De acordo com um estudo promovido por entidades portuguesas, a grande maioria das mulheres sexualmente ativas já ouviu falar da pílula do dia seguinte e uma pequena minoria admite já a ter utilizado. Ainda sim, muitas são as mulheres que não sabem quando deve ser tomada, se podem tomar mais do que uma pílula de emergência no mesmo ciclo, ou que acreditam que pode interferir com a fertilidade.

“O principal receio das mulheres, que diariamente surgem nas consultas, prende-se com o facto de acharem que a contraceção oral de emergência tem demasiadas hormonas e por isso vai desregular os seus ciclos. É necessário clarificar que as hormonas contidas na contraceção de emergência podem alterar a sua menstruação apenas no ciclo em que as toma, e não nos restantes”, começa por explicar Joaquim Neves, médico especialista em ginecologia e obstetrícia, acrescentando que “depois disso, a menstruação regressa ao seu padrão regular”.

Por outro lado, quanto à dúvida se podem ou não recorrer à contraceção oral de emergência mais do que uma vez no mesmo ciclo, o especialista garante que sim, advertindo, no entanto, que “é muito mais seguro pensar num método contracetivo regular” uma vez que estes são muito mais eficazes na prevenção da gravidez.

E quanto à fertilidade, podem ficar descansadas. “De acordo com a experiência acumulada e segundo a indicação da Organização Mundial de Saúde, a toma de contraceção de emergência não apresenta qualquer impacto na fertilidade”, afirma o ginecologista.

Qualquer mulher em idade em idade reprodutiva pode usar

Tratando-se de um método seguro e sem contra-indicações, pode ser utilizado por qualquer mulher em idade reprodutiva e com atividade sexual mas apenas em situações em que há risco de uma gravidez não planeada.

“A contraceção de emergência é um método contracetivo que só deverá ser usado em situações de risco de uma gravidez não planeada, por falha do método regular ou por relações não protegidas”, alerta Joaquim Neves.

De acordo com o especialista, os métodos contracetivos de emergência não devem ser utilizados de forma regular, mas sim em situações pontuais. “Sempre que exista um esquecimento da toma da pílula contracetiva, quando a mulher ou o casal estão inseguros quanto à eficácia do coito interrompido ou ao método do calendário, quando o método de contraceção habitual falhou, ou quanto tem tomado outra medicação que poderá ter diminuído a eficácia da pílula que toma regularmente e a mulher está preocupada com a possibilidade de estar grávida”, explica.

Sabe-se, no entanto, quanto à sua eficácia, que qualquer método contracetivo de emergência hormonal é menos eficaz do que a utilização regular de contraceção. “Um estudo clínico efetuado pela Organização Mundial de Saúde que envolveu mais de 5800 mulheres, a nível mundial, teve como resultado uma taxa de gravidez de 1,01% quanto utilizada a contraceção de emergência hormonal com a substância levonorgestrel”, adverte o clínico.

A escolha do melhor método deve basear-se na eficácia, no tempo que tenha decorrido desde a relação sexual desprotegida e na preferência da mulher, por isso, o especialista aconselha a que fale com o seu médico.

Os métodos contracetivos de emergência

Para além da contraceção de emergência hormonal, vulgarmente conhecida por “pílula do dia segunte”, existe ainda a contraceção de emergência com um dispositivo intrauterino de cobre (DIU).

“A contraceção de emergência é de toma única e, no caso de conter a substância levonorgestrel (exemplo da pílula Postinor®), deverá ser tomada até 72 horas (3 dias) após a relação sexual de risco”, explica Joaquim Neves.

“Existe outra alternativa hormonal que consiste numa pílula única de acetato de ulipristal (EllaOne®) que pode ser utilizada durante 5 dias após as relações sexuais não protegidas”, acrescenta.

Quanto ao DIU, o especialista refere que a sua colocação deve ser feita por um profissional de saúde “o mais cedo possível e até 120 horas (5 dias) após a relação sexual de risco”.

Para obter a contraceção de emergência hormonal e a contraceção com dispositivos intrauterinos, as mulheres podem recorrer às consultas de Planeamento Familiar dos Centros de Saúde e Serviços de Ginecologia e Obstetrícia do Serviço Nacional de Saúde, aos Centros de Atendimento Jovem e farmácias.

“Os métodos hormonais de contraceção de emergência são de venda livre e portanto podem ser utilizados por todas as mulheres saudáveis e não saudáveis. O uso de contraceção de emergência não provoca complicações, nomeadamente, dificuldades em engravidar no futuro”, acrescenta o médico especialista.

Sem efeitos adversos, é possível, no entanto, que algumas mulheres possam apresentar queixas como cefaleias, náuseas, vómitos, tonturas, aumento de sensibilidade mamária ou dores pélvicas. “Os efeitos são raros, ligeiros, transitórios e sem necessidade de terapêutica adicional”, esclarece. 

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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